Após conflitos entre ex-membros do Ira!, que resultou na diluição da banda, e do processo de interdição movido contra Nasi, no ano passado, o cantor voltou aos palcos, com uma nova banda, ao lado de seu companheiro de Ira!, Ricardo Gaspa.

“Foi a primeira apresentação ao vivo da banda que eu montei e foi meu reencontro com o Gaspa. Teve um público bacana, tocamos um repertório que deu um panorama geral da minha carreira, com músicas desde a Voluntários da Pátria [banda de Nasi, anterior ao Ira!], passando pelo meu trabalho solo e também covers de ícones que me influenciaram muito como Iggy Pop e Raul Seixas”, conta Nasi ao Virgula Música no intervalo do programa Pânico, da Jovem Pan.

“Esse show foi o começo da seqüência num novo momento da minha carreira. Já tenho bastante datas de shows marcados agora para abril e pretendo seguir a vida com esses músicos, até chegar ao ponto de lançar um novo trabalho”, acrescenta.

Nasi também estréia nas telonas no papel de Castro, do filme “Sem Fio”, de Tiaraju Aronovich, ainda em fase de montagem, sem previsão de lançamento. “O diretor queria um não-ator para o filme para protagonizar um personagem atormentado, extremamente urbano, até com algumas características roqueiras, de certa forma. Ele procurou alguém assim, tanto que ele pensou também no Lobão”, explicou Nasi.

“Para mim [o convite] foi uma surpresa e, ao ter contato com o roteiro do filme, eu aceitei esse desafio. Ainda não o vi pronto, mas tenho segurança que a minha atuação no filme está à altura do que o diretor esperava”, comenta.

Nasi comenta também que em alguns aspectos se identificou com seu personagem, Castro. “Existe um pouco do Castro em todo mundo que vive em uma cidade como São Paulo, num momento tão caótico em que as relações entre as pessoas são mediadas pelos meios de comunicação. A solidão que as pessoas sentem nesse tipo de situação as torna sujeitas a esse tipo de depressão [envolvimento de Castro com cocaína]. Em certos pontos eu me identifiquei sim”.

De todo o transtorno sofrido no final do ano passado, a relação com os integrantes do Ira! (com exceção do Gaspa) ficou comprometida. “Infelizmente com o Edgard [Scandurra] e com o André [Jung] não existe relação alguma, tanto que eles nunca mais me ligaram, até porque agora não tem mais porque ligar”, desabafa. “Eles participaram da tentativa de interdição e várias outras coisas. Acho que a atitude deles não foi digna, não foi leal comigo e, para mim, essa é a condição básica para fazer qualquer coisa com outra pessoa”.

Em relação aos planos futuros, Nasi diz que pretende continuar sua carreira, fazer shows e, no momento certo, gravar um novo trabalho, de preferência um DVD. “Eu já tenho três DVDs com o Ira! e já fiz participações em projetos de outras bandas. Agora, eu quero gravar um DVD meu, com coisas do meu trabalho solo e o que eu queira cantar”, comenta.

Nasi se apresenta com o quarteto formado por Júnior Moreno (baterista), Nivalo Campobiano (guitarrista), André Youssef (tecladista) e Gaspa (baixista). Moreno veio do grupo Blue Jeans, que já trabalhou com Nasi em outras ocasiões, Campobiano é um parceiro de composições do cantor ainda da década de 80 e Youssef foi encontrado na cena de blues paulistana, de acordo com o cantor.

Nasi fala como foi voltar aos palcos e comenta sobre seu papel no filme

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