Depois de dois álbuns elogiados (In Search Of…, de 2002, e Fly or Die, de 2004), o trio de R&B e hip hop N.E.R.D. parecia ter encontrado a fórmula exata para equilibrar seu tino pop (na pele do duo The Neptunes, Pharrell Williams e Chad Hugo produziram artistas como Britney Spears e Snoop Dogg) e elementos mais alternativos nas batidas e melodias de suas canções.

Em 2008, entretanto, o grupo forçou a mão com o álbum Seeing Sounds, que não foi bem recebido por público e crítica . Agora, o trio formado por Williams, Hugo e Shay Haley tenta recuperar sua reputação com este quarto álbum de estúdio, Nothing.

Em entrevista coletiva realizada antes da apresentação do grupo no F-1 Rocks, que aconteceu na última sexta-feira (5) em São Paulo, Pharrell Williams afirmou que a inspiração para o novo álbum veio do cinema.

Nothing foi gravado no estúdio de Hans Zimmer [compositor de trilhas sonoras para filmes como Inception, Código da Vinci, Piratas do Caribe e Batman Begins]. Foi lá que vimos um pôster de Era Uma Vez no Oeste, de Sérgio Leone. Nós queríamos que nosso álbum tivesse esse som de faroestes ‘spaguetti'”, explicou Pharrell ao Virgula Música. Mas o filme que definiu de vez a personalidade de Nothing foi Bastardos Inglórios.

“Quando fui pensar no som do álbum, só tinha uma certeza: que fosse algo que Quentin Tarantino gostasse. Daí surgiram todas essas alusões aos anos 60 e 70, uma coisa bem americana, Neil Young de ser. A estética de Bastardos Inglórios foi a inspiração final”, continuou ele.

Os arranjos inteligentes e a atmosfera desolada das faixas são os elementos mais fortes do álbum. Nothing começa com a agitada Party People, que com sua base suja e seu refrão viciante dão bom início à sequência de 14 músicas.

Logo em seguida entra o primeiro single do álbum, Hypnotize U, que conta com a produção da dupla francesa de música eletrônica Daft Punk. “Foi extremamente divertido trabalhar com eles, porque além de sermos amigos há muito tempo, o profissionalismo dos caras é impressionante. Ficamos muito felizes com o resultado”, afirmou Pharrell. A faixa, suave e hipnotizante, ganhou também um remix do brasileiro Péricles Martins, o Boss In Drama.

O clima insinuante e propositalmente lento continua nas faixas Help Me e Victory (cheia de batidas desiguais), para ser quebrado logo em seguida pela funkeada Perfect Defect.

A grandiloquente I’ve Seen the Light Inside of Clouds tem uma das melhores melodias do álbum, e God Bless Us Al continua na mesma pegada com um pouco mais de peso e bases sujas. Infelizmente, o segundo single do álbum, Hot ‘n’ Fun, com Nelly Furtado, não mantém a mesma força e é apenas uma faixa mediana.

Sensualidade e bases fortes são dois dos principais elementos de Nothing. E pelo jeito conseguir equilibrar essas duas características não foi nada fácil para o N.E.R.D.: de acordo com Pharrell Williams, o grupo chegou a jogar fora uma versão anterior do álbum para poder recomeçar do zero.

“Foi difícil. Começamos com um material bruto, que era praticamente um álbum completo, mas não estávamos felizes com o resultado. Ele não tinha a energia que queríamos, a força, a sensualidade. Então começamos tudo de novo, desta vez com outras ideias”, explicou o vocalista.

Nothing, assim como a carreira do N.E.R.D., é bastante irregular e difícil de definir. Enquanto algumas faixas são ótimas (Party People, Life is a Fish, I’ve Seen The Light Inside of Clouds e God Bless Us All), outra são muito fracas e destoam completamente do conceito do álbum explicado por Pharrell Williams. Agora é aguardar para ver se novos remixes e versões ao vivo das faixas podem trazer outros elementos a este novo álbum do N.E.R.D.

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