Situado em algum lugar entre a música negra, as raízes norte-americanas do jazz, folk e country e o experimental, o cantor, arranjador, guitarrista e compositor Matthew E. White está começando a trilhar seu caminho muito particular pelo mundo. Recentemente, passou pela Austrália, mas, em entrevista ao Virgula Música, ele contou que seu sonho de consumo é o Brasil.

Como era de se esperar de um cara com pinta de nerd, que reflete em um som que remete em alguns momentos a Frank Zappa, seu interesse por aqui não são as praias ou as garotas, mas a música. Especialmente a de Jorge Benjor. “Mandei um e-mail para a mulher dele para tentar um participação dele no disco, mas não deu certo. “É uma grande influência, adoraria encontrar Jorge Ben(Jor), ele representa uma tradição musical inacreditável”, disse o músico, por telefone, de Nova York, do escritório da Domino Records, selo musical independente inglês. 

Veja Steady Pace

Em seu disco de estreia, Big Inner, que sai no Brasil pelo selo Vigilante (Deck), ele cita incidentalmente a música Brother, de Benjor, na faixa que encerra o disco, Brazos. Os herois musicais de White citados à reportagem também dão uma boa amostra do seu universo: Ray CharlesSteven Bernstein (trompetista de jazz), Marvin GayeDuke Ellington e György Ligeti. Este último, foi um compositor romeno (1923-2006) de música de concerto experimental. É apontado como um dos nomes mais inovadores do século 20. 

White, no entanto, é mais “mundano”, várias de suas músicas falam de amor. “Todos nós temos experiências diferente com isso. Namoradas, namorados, mulheres, esposas, é uma coisa universal, às vezes engraçado, em outras desatroso. Cantar sobre isso é uma maneira de imprimir algo particular. Você diz porque tem algo a dizer, você põe emoções. É algo pessoal”, afirma o músico.

Big Love

Nascido em Virginia Beach, White diz que sua origem influenciou a descoberta da sua voz própria, assim como uma batelada de discos dos anos 60 e 70, no pacote onde entrou Benjor. “Quando estava no colégio comecei a pensar que a música seria uma maneira divertida de viver”, lembra.

Pé no chão, o norte-americanon que completa 31 anos nesta quarta-feira (14), conta que a banda que acompanha é a mesma há dez anos. Com os mesmos músicos, já teve projetos de avant-jazz, vertende de grupos como o novaiorquino Madeski, Martin & Wood, que incorporam grooves de funk ao jazz.

Na entrevista, realizada na terça, ele também contou em primeira mão que um dia antes havia acabado de gravar um novo EP, Outerface, com previsão para ser lançado no outono do hemisfério norte. A White quando perguntado se um novo registro representa começar do zero ou parar do ponto onde havia parado, ele diz que “é um pouco de cada um”, mas estabelece um peso maior para a ideia de continuação. “Aprendo a cada disco, podemos recriar a experiência ou partir de algo novo. É um crescimento sempre, você não começa e começa de novo”, afirma, revelando um pouco do seu método. “Tento tocar no piano, fazer um esqueleto forte para construir algo em cima”. 

 

Will You Love Me

Adepto de ternos brancos e visual extravagante, associados à tribo dos hipsters, grupo de jovens descolados de bigodinho, ligados em tecnologia na mesma medida que na contracultura e que apareceram originalmente em Williamsburg, Brooklyn, White recusa a comparação, que ele diz estar ouvindo de muitos repórteres ultimamente. “Acho que é algo como, você é um performer, um entertainer. É o mínimo que você pode fazer”, afirma. “As pessoas me chamam como quiser. É o meu trabalho”, completa White, sobre a maneira dandy como se veste.

Mas seu fetiche pelos velhos discos, ídolos, roupas e por uma resposta musical à “América profunda” não o exilam de oferecer uma experiência atual. “Sou parte de um certo tempo e quero fazer parte deste tempo”. De fato, o mundo de hoje fica melhor com o senhor White. O de ontem, já não mais o vivemos.

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