Ao transformar tecnobrega em indie, a Banda Uó saiu de Goiânia e conquistou os moderninhos paulistanos. E eles estão de volta ao público que os reconheceu e os projetou para um show neste sábado (13), no Cine Joia. 

O trio formado por Davi Sabbag, Mateus Carrilho e pela transexual Candy Mel apresenta versões de músicas de Strokes, Rihanna, Willow Smith e faixas do álbum Motel (Deck), lançado no ano passado.

Shake de Amor, Faz Uó, Gringo e Não Quero Saber prometem acabar com o carão e comprovar a tese de Mateus, em entrevista ao Virgula Música. “O brega é pop. Acho que as pessoas sempre olharam muito pra fora, tentando ‘fazer igual’, nós de uma maneira indireta também fazemos isso, por causa das influências. Mas o pop nacional ganhou personalidade. Antes o legal era cantar em inglês, agora não.” Leia a seguir.

Acham que a música tem um papel importante para se contrapor à onda conservadora que recentemente ganhou as feições do Feliciano?  

Acho que sim, temos tantos exemplos na nossa música né. A Banda Uó fica fora dessa, porque nossa intenção como banda é levar fantasia e diversão, sem algo subliminar. Mas acho que o Feliciano e sua turma estão adorando esse Ibope todo. A igreja tem ganhado muita força e eu acho isso assustador. Uma pena, infelizmente!

A rapper dos Estados Unidos Brooke Candy já disse que o hip hop gay é a “fronteira final”, vocês concordam?

Não posso falar com propriedade, porque estou longe de entender sobre a história do rap americano, e acho a Brooke Candy bem ruim. Mas com certeza o mundo hoje luta pelo fim da homofobia, as crianças se assumem mais cedo e os país aceitam mais cedo.

Os estigmas diminuíram e ter um rapper gay, ou jogador de futebol ou em qualquer outra profissão considerada hétero se torna maior e comum. Se o hip hop tiver ali seu movimento a favor da liberdade sexual vai ser lindo.

De que maneira o brega pode dar uma contribuição para o pop brasileiro?  

O brega é pop. Acho que as pessoas sempre olharam muito pra fora, tentando “fazer igual”, nós de uma maneira indireta também fazemos isso, por causa das influências. Mas o pop nacional ganhou personalidade. Antes o legal era cantar em inglês, agora não.

O pop daqui vem da periferia, tem esse tempero que vai do funk ao tecnobrega, mistureba doida que chama atenção no mundo todo. Esse ano tivemos Kanye West com Naldo tentando aprender funk, agora o Paul Mccartney procurando o ritmo. Roberto Carlos, Gal, Caetano. Enfim, nosso pop é lindo.  

Serviço

Banda Uó neste sábado no Cine Joia

Praça Carlos Gomes, 82, Liberdade. Abertura da bilheteria: 21h. Abertura da casa: 22h. DJs: Edu K e Underaged Heartbreakers. Horário previsto do show: 1h. Ingressos:1º lote: R$ 25; 2º lote: R$ 40; 3º lote: R$ 50.

Veja o clipe de Shake de Amor

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