Os mais de 160 mil seguidores de Filipe Ret no Instagram mostram que há algo de muito pop no reino do novo hip hop. Surgido no contexto das batalhas de MCs no Rio, na Lapa, em 2002, o rapper lançou seu álbum de estreia VIVAZ, em 2012. Em entrevista exclusiva ao Virgula Música, ele diz que o rap é o gênero musical que mais cresce no Brasil.

Ouça Filipe Ret

Se liga na nossa conversa com músico de 29 anos, que canta rap desde criança e começou a escrever suas próprias rimas aos 17.  

Você é muito popular nas redes sociais. O que faz para ampliar sua presença e desde quando têm essa preocupação?

A partir de 2010, as redes sociais ganharam uma importância fundamental no mercado. Quem observou este fato e se adaptou, naturalmente, evoluiu junto. Quem ignorou, ficou pra trás de alguma forma.

Qual é o segredo para popularizar o rap?

Não sei se o rap quer se popularizar. Posso falar por mim, eu gostaria de popularizar minha música. No fundo, acho que isso é o desejo de todo artista. Acho que pra popularizar sua arte é preciso se comunicar com o povo. Na verdade, é muito simples.

Você começou nas batalhas de freestyle, de que maneira isso o ajudou quando foi escrever suas músicas?

Escrevi meus primeiros versos em 2001 e comecei a participar das batalhas em 2002/2003. Nesta época, a cena era mil vezes menor do que é hoje. As batalhas eram a única forma de subir num palco e cantar prum público de rap. Mas isso me fez crescer muito. O rap é um jogo. Eu perdi muitas batalhas. Observar minhas derrotas me amadureceu muito.


Em 2012, com o álbum VIVAZ foi apontado como uma das apostas do novo rap, de que maneira isso o ajudou a consolidar sua carreira e seu som?

VIVAZ é um disco visceral e original. As pessoas se identificam com as músicas porque elas têm essência. Não tenho dúvida de que o CD marcará a vida de muitos jovens porque nele está a expressão real de um jovem extremamente inquieto.

O seu rap não fala apenas de política. Acha que essa liberdade de temáticas é uma característica do novo rap?

Não falo de política nas músicas. Falo do indivíduo. É preciso transformar o interior pra transformar o exterior. Acho que os raps de hoje têm mais liberdade mas a cena como um todo tem muito pra amadurecer. Eu vou continuar buscando o máximo de liberdade com o máximo de recursos para o máximo de pessoas.

Em que vem trabalhando atualmente? Alguma previsão de lançamentos?

Estou gravando o próximo CD. Quero lançar um single ainda este ano. E o CD no início de 2015.

Você é da segunda geração do rap, na sua opinião, o que difere o rap atual do feito pelos pioneiros?

Os verdadeiros artistas evoluem junto com o mundo. Basta estar aberto para viver o mundo de hoje. Nos anos 90, os problemas eram outros. A conjuntura política, econômica, tecnológica era outra. Estamos nos anos 10, a revolução digital é um fato, as informações são bem diferentes de 20 anos atrás. O rap cresceu mais nos últimos quatro anos do que nos anos 90 e 2000 juntos. O mundo será cada vez mais cruel com quem tiver a mente fechada.

O rap carioca tem uma característica própria, ele é mais leve, dançante?

Claro. O carioca pensa menos em trabalho do que o paulista, por exemplo. Aqui no Rio a gente gosta de ir pra praia, fumar maconha e pegar mulher. O clima da cidade criou essa cultura. Sou nascido e criado nesta cidade e hoje, viajando o Brasil todo fazendo shows, percebo melhor o quanto os cariocas são diferenciados. Nossa malandragem é única. Hoje consigo enxergar melhor isso. Aqui existe desigualdade social como em qualquer grande cidade, mas os ricos moram perto dos pobres, dividem a mesma praia, etc.

Que outros novos nomes do rap você mais gosta e indica. Vê algum ponto de aproximação entre o seu trabalho e o dessa galera?

Eu indico e ouço meus parceiros daqui da minha área, Catete, Glória, Lapa: Daniel Shadow, Pedro Ratão, Beni, Start, Nectar. Eles cantam a realidade da maioria dos cariocas. A juventude se identifica com nosso som porque se identifica com nossa realidade. Todos que citei são mcs completos, com sensibilidade artística e sagacidade de rua.

Como é ser rapper na terra do funk?

Tenho muito influência do funk antigo: Claudinho e Buchecha, Márcio e Goró, Suel e Amaro, Loscar e Torrá. Cada vez mais, o funk se aproxima do rap e o rap se aproxima do funk. A tendência é virar tudo uma coisa só. O rap é o gênero musical que mais cresce no Brasil e quando o funk também chegar pra somar não vai ter pra ninguém!

Sem mais artigos