Amaro Freitas

Divulgação Amaro Freitas

Ele é um craque da nova música instrumental brasileira. Pianista, compositor, arranjador e diretor musical, Amaro Freitas é um nome para ficar de olho, em uma cena que tem revelado muitos nomes, alguns deles citados pelo próprio recifense nascido em 91.

Sangue Negro, seu primeiro disco, lançado em 2016, ainda rende. Está nas plataformas digitais e, recentemente, motivou única apresentação no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Leia nossa conversa com a fera das teclas em que ele fala de música, influências, processo de composição e a nova cena instrumental.

O que tá rolando de mais novo na música brasileira hoje, na sua opinião?
Amaro Freitas – Falando da música instrumental, eu acho que tá rolando não só uma única pessoa, mas uma movimentação de muitos artistas entre 18 e 35 anos, que estão vindo com uma nova proposta musical, com influências diversas, a internet acaba facilitando de certa forma a comunicação e disseminação entre esses novos artistas e o público jovem e vanguardista. A coisa toda tá se desenhando, acredito que logo logo a bolha estoura, e o Brasil terá um novo momento na música instrumental.

Lugares para apresentações instrumental São de suma importância para fortalecimento da cena, nisso São Paulo acaba sendo a referência, mas hoje já temos movimentação mesmo que com uma proporção menor do que São Paulo, em alguns lugares do Brasil, o nordeste vem crescendo com seus festivais e clubes de jazz, por exemplo.

Quem são suas maiores influências?
Amaro – Thelonious Monk, Naná Vasconcelos, João Donato, John Coltrane; Joshua Redman; Brad Mehldau, Craig Taborn, Vijay Iyer, Gonzalo Rubalcaba, Spok Frevo Orquestra, Tom Jobim, César Camargo Mariano, Capiba, Moacir Santos

Você tem rituais para compor? O que planeja para suceder a Sangue Negro?
Amaro – Já tenho novas composições, logo logo teremos novidades sobre meu segundo trabalho. Mas já posso adiantar que são composições que trabalham esse novo momento da minha vida, envolvendo pesquisa musical sobre ritmos pernambucanos, estudo percussivo e polirritmia no piano, melodias na região grave junto com o baixo acústico e um mantra muito frenético em algumas composições, tentativa de representações de paisagens visuais e estações do dia, dentre outras coisas.

Como vê o atual momento do jazz e música instrumental no Brasil?
Amaro – Eu vejo que como uma onda a música instrumental no Brasil vem crescendo com uma nova geração cheia de fôlego e novidades na forma de compor e pensar música. Acredito que muita coisa boa está acontecendo e ao passar do tempo teremos novas referências da música instrumental brasileira tão importante como foi o Tom Jobim e o Villa-Lobos.

Que artistas da nova cena mais gosta e indica?
Amaro – Gosto do muito do, pianistas Salomão Soares, Hércules Gomes, Thiago Almeida, Jhonatan Ferr; do trompetista Sidimar Vieira; flautista e multiinstrumentista Henrique Albino; guitarristas Pedro Martins e Ítalo Sales; bandas: Marimbanda, Saracutia, Renato Bandeira e Som de Madeira, Rua do Absurdo.

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