O pianista e diretor sinfônico argentino Daniel Barenboim lamenta que a educação musical em todo o mundo diminuiu nos últimos anos, porque acha que a música ensina a ter um bom sentido de equilíbrio entre o emocional e o racional.

“A música perdeu sua função de grande eixo na cultura da sociedade porque não há mais educação musical nas escolas. As pessoas não tocam mais instrumentos em suas casas (…) Dizem que a cultura é custosa demais e que a música não traz dinheiro”, disse Barenboim à Reuters em uma entrevista recente.

“Quando era garoto, se tocava quase que todas as semanas. Em cada grande cidade do mundo havia um grupo de pessoas que se reunia, misturando profissionais e amadores”, continuou.

O artista, de 60 anos, nacionalizado israelita, interpreta até 11 de agosto o ciclo completo das sonatas de Beethoven no Teatro Colón de Buenos Aires.

“Para viver como adulto tem que haver um sentido de equilíbrio entre o cérebro, o coração e o estômago. Essa é a dificuldade que temos todos como seres humanos em todos os momentos da vida”, disse Barenboim.

“Eu não posso fazer música somente com o cérebro ou somente com o temperamento ou com o sentimento. É um modo educativo extraordinário e é uma grande pena que não se desenrola”, completou.

VIA PACÍFICA

O músico, que atualmente mora na Alemanha onde dirige as orquestras de Staatskapelle e Staatsoper de Berlim, faz concertos tanto em solo judaico como palestino e advoga por uma sociedade pacífica no conflito bélico no Oriente Médio.

“Tem que haver uma mudança radical na forma como as pessoas pensam. Não tem sentido seguir dizendo que é culpa de um ou do outro (palestinos e judeus)”, falou.

Barenboim criou uma orquestra integrada por jovens palestinos e judeus para fomentar a integração e a tolerância entre ambos povos.

O músico também dirige a orquestra sinfônica de Chicago.

Barenboim nasceu em Buenos Aires no seio de uma família judaica de origem russa. Mas aos nove anos emigrou para Israel com seus pais, que foram seus únicos maestros de piano e com quem viveu até os 18 anos.

Aos sete anos já havia dado um concerto no Teatro Colón e aos 12 gravou seu primeiro disco dos mais de 300 que realizou em sua vida e que incluem, ao lado de um imenso repertório clássico, uma homenagem a Duke Ellington e outro de música africana.

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