O Planeta Terra 2010 fez barulho quando anunciou em seu line-up dois nomes de peso: o Smashing Pumpkins (ou melhor, Billy Corgan & friends) e os indies do Pavement, que retornaram aos palcos em 2010 depois de um hiato de quase 11 anos.

A expectativa era absurda, tanto dos fãs do Smashing Pumpkings, que queriam ver os antigos clássicos da banda, quanto do público do Pavement, que comemorava o privilégio de poder ver a um dos shows do celebrado retorno de Stephen Malkmus.

Mesmo assim, o domínio do festival não ficou na mão da velha guarda do rock – a grande atração do evento foi o público colorido, alternativo e que pulou em todas as atrações do Indie Stage e cantou em uníssono as músicas favoritas de bandas pouco conhecidas ou hypadas apenas entre a crítica especializada (e gringa, claro).

O show do of Montreal já anunciava essa dominação indie, em uma apresentação curta (e para poucas pessoas, já que o show aconteceu no fim da tarde) mas que encantou o público com sua alta dose de teatralidade e um repertório caprichado.

Logo em seguida, o cantor Mika encheu o palco com sua purpurina sonora e transformou o Main Stage em uma pista de dança. Mais uma vez, um show marcado pela alta dose de teatralidade e pela performance – mais do que um bom repertório e um som bem ajustado, em um festival (no qual os shows são sempre curtos) o importante é conseguir criar uma sincronia com a plateia que faça com que o público não só peça pelos hits mas consiga compreender toda a proposta de som, imagem e representação que está no palco. Em suma, quem triunfou nesta edição do Planeta Terra foram os artistas que tiveram o domínio de sua própria linguagem.

O Empire of The Sun também seguiu esta proposta, trazendo um palco futurista e cheio de figurinos bem trabalhados. Mesmo que o som do grupo não seja ainda tão desenvolvido, a apresentação agradou ao público do Indie Stage por trazer essa mesma noção de que o teatral não é acessório, e sim o fio condutor da sonoridade de várias bandas.

O Yeasayer e o Passion Pit fogem um pouco dessa estética, mas fizeram sucesso por direcionar essa teatralidade para seus instrumentos: enquanto que o Passion Pit apostou na vibe de alegria sem fim e de melodias cativantes, o Yeasayer abusou do experimentalismo e mostrou que o público brasileiro quer, sim, ouvir coisas novas e ter experiências diferentes. Obivamente, apresentações de bandas consolidadas como Pavement e Smashing Pumpkins são importantíssimas e atrairam bastante público para o festival, mas o que o Planeta Terra 2010 mostrou foi que existe espaço para experimentar – e, mais do que isso, para apontar tendências.

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