Os dois últimos shows do Main Stage do Planeta Terra 2012 eram os mais atraentes para o público fã de hits e sucessos radiofônicos. Mas mesmo sendo os nomes mais populares do line-up, Garbage e Kings Of Leon encerraram o festival com shows muito diferentes – quase contrastantes, em alguns sentidos. 

Com cerca de 10 minutos de atraso, o Garbage subiu ao palco com Automatic Systematic Habit, do mais recente álbum do quarteto – Not Your Kind Of People, lançado neste ano. De cara, fica nítida a presença de palco hipnótica da vocalista Shirley Manson, exuberante e absolutamente encantadora aos 46 anos.

O repertório contou com várias faixas de Not Your Kind Of People, mas talvez por ser a primeira vez do grupo no Brasil, a banda caprichou na escolha de diversas faixas dos dois primeiros – e mais conhecidos – álbuns da banda, Garbage (1995) e Version 2.0 (1996).

Ao vivo, o Garbage soa ainda mais potente que em estúdio, e o quarteto completado pelo renomado produtor Butch Vig (bateria), Duke Eirkson (baixo, guitarra, sintetizador) e Steve Marker (guitarra e sintetizador) se sente completamente à vontade em cima do palco.

Com exceção do Suede, o Garbage foi o grupo mais experiente a se apresentar no Planeta Terra, e usou a maturidade a seu favor: tecnicamente, a banda foi perfeita, e mostrou vigor mesmo em clássicos com quase 20 anos de estrada como Stupid Girl, Queer e Hammering In My Head. Nesta última, inclusive, Shirley homenageou São Paulo, ao incluir o nome da capital paulista no lugar da referência a Los Angeles da letra original.

O público correspondeu à altura, e se derreteu com a performance de Shirley em faixas como Cherry Lips (Go Baby Go) – uma das mais cantadas pela plateia – e, claro, Only Happy When It Rains, que só não encerrou o show de forma ainda mais memorável porque a chuva que caiu sobre o Jockey Club cedeu no meio da tarde, horas antes do show.

Nitidamente empolgada com a apresentação, Shirley convocou os presentes a se tornarem músicos (“Comecem uma banda amanhã de manhã e tenham os melhores momentos da p**ra d sua vida”), e elogiou o Brasil. “Este show é tão especial para nós quanto para os fãs do Garbage”. Serão muito bem-vindos novamente.

Kings Of Leon
Às 22h foi a vez do Kings Of Leon. O show era um dos mais aguardados do festival não apenas pela popularidade da família Followill – a banda é formada pelos irmãos Caleb (voz e guitarra), Jared (baixo), Nathan (bateria) e pelo primo Matthew (guitarra) -, mas por marcar o retorno oficial do grupo, parado desde novembro do ano passado.

Aparentemente recuperado do surto que obrigou a banda a cancelar metade da turnê norte-americana de divulgação de Come Around Sundown (2010), o vocalista Caleb Followill esteve em forma, com sua voz rouca característica inabalada.

Em vários aspectos, o show foi muito parecido com o apresentado por aqui no festival SWU, em 2010. Visualmente básico, e com repertório calcado nos dois últimos álbuns do quarteto, especialmente em Only By The Night (2008).

O show começou com o hit Molly’s Chambers, seguido por diversas faixas dos primeiros álbuns do grupo. No princípio a banda parecia revigorada, mas a partir do último single lançado pela banda, Back Down South, abriu uma longa sequência de faixas arrastadas, que apesar de agradar parte do público, deixaram a apresentação em marcha lenta.

O ritmo voltou a subir em momentos esporádicos, como na última faixa do set, Black Thumbnail, e a plateia aplaudiu vigorosamente sucessos como Sex On Fire, Use Somebody, Notion e Radioactive. Mas na maior parte do tempo, as coisas pareciam com dificuldade de engrenar. 

A presença de palco dos quatro também não ajudou. Concentrados nos instrumentos e com olhares mais focados nos próprios companheiros de banda do que no público, os Followill chegavam a parecer indiferentes, sem muito tesão de estarem de volta ao Brasil.

Enquanto o Garbage demonstrou estar em plena forma com 18 anos de carreira, os integrantes do Kings Of Leon pareciam cansados de ser quem são, mesmo com menos de uma década de reconhecimento no mainstream.

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