Brendon Urie, do Panic! At The Disco, está ao telefone com o Virgula Música e ri assim que ouve as palavras “Westboro Church”: “Foi muito engraçado, né? Essa Igreja sempre foi uma piada para mim”, ele fala. Quando o P!ATD foi “vítima” de um protesto organizado pela Igreja Batista Westboro, que tem como passatempo piquetar shows de artistas que apoiam a causa LGBT. A reação de Brendon, que abandonou a religião mórmom da família, foi a melhor possível: disse que, para cada manifestante que aparecesse, eles doariam 20 dólares para a Human Rights Campaign.

“Eles odeiam os direitos humanos”, menosprezou Brendon, que acabou arredondando o valor da doação para 1000 dólares depois de o piquete ter reunido apenas 13 pessoas. “Eles odeiam pessoas que estão tentando viver suas vidas, e que são quem elas são. Eu acho muito engraçado, mas o jeito deles é tão rude e tão raivoso. E não é isso que nós somos. Então pensei em simplesmente mostrar pra eles quem nós somos”.

O Panic! At The Disco chega ao Brasil esta semana para duas apresentações pelo Circuito Banco do Brasil.  No sábado (18), o show acontecerá em Belo Horizonte e no domingo (19), em Brasília. “Eu gostaria que nós tivéssemos ido aí antes”, Brendon lamenta. Esta é a primeira vez que a banda vem ao Brasil desde 2009, quando se apresentou no Maquinaria Festival. “Eu sempre pedia para o nosso gerente de turnê marcar shows aí! Agora eu estou feliz por poder ir. Nós vamos nos divertir, ter um bom momento. Eu estou tão animado. A gente nunca fez isso [tocar em BH e Brasília], então eu acho que vai ser tão barulhento e tão divertido. No tempo que a gente tiver, eu quero ver o máximo de coisas que eu puder. Isso é uma grande coisa pra mim. Sempre que a gente viaja, geralmente por causa de trabalho, qualquer tempo que a gente tem a gente visita a cidade, conhece os locais….”

Mas a banda que pousará no Brasil é bem diferente da que esteve aqui no fim da década passada. Na verdade, dos integrantes originais da banda, apenas Brendon estará presente. Ryan Ross, que ajudou Brendon a fundar o P!ATD, e Jon Walker, saíram do grupo e fundaram o projeto Young Veins. Spencer Smith, outro membro original, deixou a banda no ano passado para se internar em uma clínica de reabilitação. Mesmo com todas as baixas, Brendon não tem nenhuma hesitação em levar o Panic! At The Disco adiante.

“Pra ser totalmente honesto com você, eu sou uma grande parte dessa banda e ela significa muito pra mim”, ele refletiu. “Não há nada além de gratidão e felicidade e empolgação por causa dos anos que estão por vir. Eu só quero continuar fazendo isso, continuar vivendo nessa banda.  Eu estou em um estado de felicidade. Eu amo isso. Há membros indo, membros vindos, mas eu amo essa banda demais para abandoná-la”. Ele completa: “É muito importante que as pessoas saibam disso”.

Os americanos dividirão o palco com o Titãs, o Nação Zumbi e o Linkin Park. “Eu gosto de tocar em festivais porque você nunca sabe quem vai vir assistir. Não são necessariamente os seus fãs”, Brendon comenta sobre a experiência. “O Linkin Park vai tocar e eu tenho certeza que haverá muitos fãs deles, o que vai ser ótimo. Eu amo Linkin Park. Vai ser muito divertido, vai ser uma chance para conquistarmos as pessoas”.

Quer uma música que você com certeza irá ouvir no show? O já famoso cover que o P!ATD fez de Bohemian Rhapsody, do Queen, durante a sua Gospel Tour, que foi citada até pelo twitter oficial da banda. “Foi grande! Eu não esperava esse tipo de reação. O Queen é uma das minhas bandas prediletas de todos os tempos. É uma música que eu sempre quis fazer um cover dela, mas eu tinha muito medo”, Brendon explica. Bom, se você assistir ao vídeo, verá que o medo de Brendon era bem infundado.

Outra boa novidade. Brendon contou que o próximo álbum do Panic! At The Disco está “mais perto do que longe”,  apesar de ainda não ter nenhuma data: “ainda estou organizando as coisas”, ele explica. “Estou fazendo colaborações com outros artistas e tentando descobrir outras coisas que me surpreendem. Essa é uma parte muito importante do processo, fazer coisas que você nunca fez antes”. Sabe aquele tipo de compositor que só consegue escrever trancado no estúdio? Brendon não é um deles. “É muito fácil hoje em dia. Tudo o que você precisa é um notebook. Na verdade, tudo o que você precisa é um celular. Você canta para o seu celular, grava pequenas notas. Eu faço isso no avião às vezes”, ele conta. “Provavelmente vou fazer isso enquanto vou para o Brasil! Você nunca sabe. Por isso que gosto de estar sempre escrevendo, sempre me manter criativo”.

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