O terceiro e último dia do Festival SWU trouxe atrações para (literalmente) todos os gostos: desde o metal do Avenged Sevenfold e o peso do Cavalera Conspiracy até a celebração indie do Pixies e a consagração do Linkin Park (e para os guerreiros ainda tinha o Tiesto).

Após uma segunda-feira morna, com shows medianos de grupos como Dave Matthews Band e Kings of Leon, o dia 11 começou com menos desorganização e muitos shows – o público precisou se desdobrar para correr de um palco ao outro e ainda assim conseguir chegar no horário.

YO LA TENGO e CAVALERA CONSPIRACY

A escalação do Yo La Tengo no dia 11 causou polêmica entre os fãs da banda: enquanto muitos ficaram felizes em ver o grupo no Brasil, outros questionaram a relevância de uma apresentação de apenas 40 minutos em meio a um line-up completamente díspar.

Os veteranos do indie rock subiram ao palco com a música From A Motel 6, e logo no começo do show enfrentaram alguns problemas técnicos com o som, embolado e pouco nítido.

O guitarrista e vocalista Ira Kaplan fez a festa dos poucos fãs da banda que estavam na área VIP, caprichando nas distorções e interagindo com o público. O tom experimental pautou a apresentação da banda, que fez um som inteligente e digno de um grupo com quase 30 anos de carreira.

Infelizmente, o som do grupo entrou em conflito com os demais artistas do line-up, e o público que esperava avidamente pelo Avenged Sevenfold, Queens of the Stone Age e Linkin Park terminou a apresentação xingando a banda. Assim como os internacionais Josh Rouse e Apples in Stereo, o Yo La Tengo merecia uma apresentação em outro palco e com outra proposta.

Já o Cavalera Conspiracy não enfrentou nenhum problema, sendo ovacionado pela plateia assim que pisou no palco. Os irmãos Max e Igor Cavalera estavam longe dos palcos brasileiros há quase quinze anos, mas retornaram com um vigor incrível e um repertório caprichado.

O público pediu e o Cavalera Conspiracy atendeu, tocando também algumas músicas do Sepultura, como Roots e Refuse, Resist.

De seu único álbum de estúdio, Infilkted, de 2008, o grupo tocou músicas como Sanctuary, Hex e Hearts of Darkness. Além disso, os irmãos Cavalera presentearam o público com uma canção inédita, intitulada Warlords – uma prévia para o segundo álbum da banda, que será lançado em 2011.

AVENGED SEVENFOLD E QUEENS OF THE STONE AGE

Embora o dia 11 tenha presenciado uma multidão de camisetas do Linkin Park, uma outra banda questionou a hegemonia dos fãs de Chester Bennington e seu nu-metal. O Avenged Sevefold, dono de cinco álbum de estúdio (o mais recente, Nightmare, foi lançado este ano e entrou direto no topo das paradas dos EUA), encheu a arena Maeda de fãs adolescentes e comandou uma verdadeira histeria, com direito a meninas desmaiando enquanto gritavam o nome do vocalista.

O grupo de metal dramático chega ao Brasil com um reforço de deixar muitos fãs de música pesada sem fôlego: o baterista Mike Portnoy, ex-Dream Theater.

A confusão para ver de perto o vocalista M. Shadows era tanta que a equipe de segurança precisou reforçar a grade que separa a pista premium da comum – a barreira chegou a ceder e causou pisoteamentos no show do Rage Against The Machine, que aconteceu no dia 9. Por sorte, ninguém se machucou.

O repertório do grupo trouxe músicas como Nightmare, Afterlife, God Hate Us All e Buried Alive, e finalizou com o hit Almost Easy. A resposta calorosa da plateia deixou a banda visivelmente emocionada, e o show terminou em clima de celebração.

Os fãs do Avenged Sevenfold mostraram que conseguem fazer muito barulho, mas a atração seguinte do Palco Ar não deixou espaço para mais ninguém: após uma hora de atraso, Josh Homme e o Queens of The Stone age subiram ao palco ovacionados, com o público se acotovelando para chegar mais perto da grade.

Para os fãs da banda, com certeza valeu a espera: como prometido, o grupo preparou um setlist condizente com a atual turnê, que comemora o aniversário de dez anos do álbum Rated R. Josh Homme iniciou a apresentação com duas faixas do álbum, Feel Good e Lost Art of Keeping a Secret, e entregou ao público um repertório muito pesado e apoiado na performance excelente da banda, que conta com instrumentistas habilidosos e mais do que experientes na arte de manter uma plateia cansada pulando sem parar.

O setlist, com músicas como Go With Flow, Long Slow Goodbye, I Think I Lost My Headache, Little Sister e Do It, foi tão arrebatador que a plateia se esqueceu do atraso e cantou junto com fervor. Com certeza, o melhor show do SWU.

“Que noite linda, maravilhosa!”, elogiou Josh Homme, feliz pela recepção da plateia – infelizmente, o show foi marcado por várias confusões e acidentes.

Antes do grupo subir ao palco uma multidão no centro da área vip começou a se empurrar e várias pessoas ficaram feridas. Posteriormente, a plateia da pista comum tentou derrubar a grade para invadir a pista VIP, mas os seguranças conseguiram controlar a situação.

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