Alguns rappers franceses estão assumindo por conta própria uma responsabilidade em áreas onde o Estado fracassou. Criando canções que tratam de problemas como racismo, drogas e violência, eles levam uma mensagem de esperança para os adolescentes em risco.

O governo de centro-direita eleito em junho prometeu reprimir a criminalidade nas áreas urbanas mais pobres, mas a polícia perdeu o controle de vários dos bairros mais violentos há muito tempo. Na prática, os traficantes ficam livres para espalhar o terror pelos bairros em que operam.

Enquanto o chamado “gangsta rap” glorifica o crime em tiradas repletas de palavrões, um grupo de rappers franceses aderiu a mensagens mais refletidas que, para eles, podem salvar a vida de adolescentes que já estão fora do alcance da influência de professores ou polícia.

Kery James, que chegou à fama como parte de um grupo de rappers parisienses durões de subúrbio, se sente como um homem incumbido de uma missão desde o assassinato de seu melhor amigo, fato que o levou a se converter ao islamismo.

“A maioria dos rappers franceses não tem consciência nenhuma da situação social do país e age de maneira egoísta”, disse James à Reuters, em entrevista.

“Eles só pensam em vender discos ou satisfazer sua paixão pela música, fazendo de conta que suas canções não vão mudar a vida de ninguém. Mas tudo na vida está interligado, e cabe a cada um de nós contribuir com alguma coisa positiva”, disse ele.

James provocou espanto no cenário rap local com seu novo álbum, “Si c’etait a refaire” (“Se eu tivesse que refazer tudo”), no qual aplicou uma interpretação rígida do islamismo que proíbe o uso de instrumentos de sopro ou cordas.

Trazendo a contribuição do músico malinês Salif Keita e de Roldan, integrante da banda de hip-hop afro-cubana Orishas, o álbum tem um clima de world music, mas sua letra conserva o caráter urbano contundente.

A diferença é que, quando antes James fumava maconha e vomitava sua revolta, agora ele exorta os jovens a assumir a responsabilidade por suas próprias vidas, dando as costas para as drogas e à violência.

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