“Muitas vezes nossos fãs nos pedem para autografar os CDs e eu simplesmente não sei o que escrever. É uma sensação muito estranha, ir ao supermercado e ouvir alguém gritar seu nome”, conta Mia Wicthoff, vocalista da banda CW7.

Andando pelo estúdio da ArtMix, na zona norte de São Paulo, a banda parece se sentir à vontade falando sobre sua recente carreira musical, embora ainda se sinta intimidada com o assédio dos fãs.

“Tá vendo esse anel? Ganhei da líder do nosso fã-clube. Os brincos, pulseiras, várias coisas que uso são de fãs. Adoro retribuir a dedicação deles”, garantiu ela.

Em 2007, os irmãos Pipo, Léo e Paulinho Wicthoff resolveram começar a viver de música em sua cidade natal, Curitiba. Para o vocal, convidaram a prima, Amanda, que logo virou Mia. “Quando começamos a compor as nossas músicas, logo pensamos em divulgá-las na web. Ficávamos o dia todo na web, e os resultados começaram a surgir – do nada, tinhamos um fã-clube incrível”, explicou Léo.

MUDANÇA PARA SP

Depois de tocar em várias casas de shows em Curitiba, os horizontes da banda pareciam restritos e sem muito futuro. “Já tinhamos tocado em todos os lugares possíveis, bateu um desânimo.Então decidimos empacotar tudo e partir pra SP”, afirmou Paulinho.

A mudança para SP trouxe um ambiente quase claustrofóbico para o CW7. “Como nós moramos no mesmo apê, ficamos o dia todo na companhia uns dos outros e pensando só na banda. É CW7 24 horas por dia, não rola fazer mais nada. Acordamos e já começamos a trabalhar, e ficar no mesmo ambiente acaba deixando a gente bitolado”, afirmaram os músicos.

Com o crescimento do número de fãs nas redes sociais, a banda lançou dois discos independentes, que eram vendidos nos shows e de maneira informal. A partir de uma aparição no programa Acesso MTV, o grupo assinou com a ArtMix e com o empresário Marcos Maynard, do Restart.

Mesmo assim, a banda continua fazendo questão divulgar seu próprio trabalho. “Ficamos das 9h às 2h na internet, sem exagero. Respondendo mensagens de fãs no Twitter, no Facebook, falando para as pessoas pedirem nossas músicas na rádio e fuçando nossas páginas no Orkut. Esse é o nosso dia-a-dia”, explicou Mia.

COMPARAÇÕES COM O RESTART

“Todo mundo que ouve o nosso som percebe que não temos nada a ver com o Restart. Embora respeitemos a cena dos coloridos, não fazemos parte dela. Nossa música não se encaixa bem em nenhum estilo”, afirmou Léo.

E as influências da banda? “Olha, nós ouvimos muito Evanescence, All Time Low, Blink 182, Green Day, Paramore, NX Zero e Pitty. Mas não somos influenciados por esses grupos na hora de fazer as nossas composições, acho que são coisas separadas”, garantiu Mia.

Para a banda, o principal diferencial do CW7 (e o que define a sonoridade do grupo) é ter uma mulher nos vocais. Segundo os integrantes, nenhuma banda em 2007 do cenário pop-rock brasileiro arriscou colocar uma garota como vocalista.

De acordo com Mia, o CW7 não se preocupa em seguir essas tendências e moldar seu som a partir de um modelo específico, mas não vê problema em adaptar as músicas para as rádios. “Se queremos que a música seja pesada, OK. Mas não vemos problema em fazer uma versão acústica, com menos guitarra, para entrar na programação da rádio”, assegurou ela.

Sobre o novo álbum do grupo, a banda adianta que o disco trará novas versões de seis músicas de seu segundo trabalho, além de canções inéditas. 

LOUCURAS DOS FÃS

Embora toda a popularidade da banda tenha surgido após a criação de uma grande base de fãs, os músicos do CW7 ainda se assustam com o lado mais surreal da idolatria.

“Quando fomos gravar o Acesso MTV, uma das nossas fãs espirrou desodorante no olho para fingir que estava com conjuntivite, ela inclusive riscou a retina, foi horrível. Outro lance muito absurdo foi em um show nosso no Espírito Santo. Joguei um CD na plateia e uma menina e um menino começaram a brigar por ele. Daí ele deu um soco na menina, quebrou o nariz dela e acabou sendo preso”, narrou Mia, dando risada da loucura dos fãs da banda, mesmo admitindo um certo desconforto com tais exageros.

“Ai, vou postar aqui sobre a entrevista no nosso Twitter, tá?”, pergunta Mia logo após do papo. Com ou sem loucuras e episódios extremos, é da relação com os fãs que o CW7 – e muitas outras bandas voltadas ao público teen – constroem sua identidade e seu som.

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