Diogo Nogueira, astro de SamBra

Diogo Nogueira, astro de SamBra

Há tempos que o Brasil alcançou um nível de excelência em musicais. Poucos espetáculos, no entanto, são tão essencialmente brasileiros como SamBra, dedicado aos cem anos do gênero mais brasileiro. Com Diogo Nogueira em sua estreia como ator e a surpreendente Beatriz Rabello, que rouba a cena com sua elegância de filha do príncipe Paulinho da Viola, muitos se debulharam em lágrimas durante a estreia, na semana passada, no Rio de Janeiro.

Nesta quinta (26), o espetáculo chega a São Paulo e faz curta temporada até domingo no Espaço das Américas. (rua Tagipuru, 795, Barra Funda). Foi nesse lugar que os jornalistas, entre eles nós do Virgula, puderam ver algumas cenas do espetáculo e conversar com a equipe e o elenco do musical.

“Desde o início, a ideia sempre foi, que partir de um determinado momento em que a Aventura já estivesse madura, que o mercado brasileiro já estivesse maduro, nós tivemos condições de passar a produzir conteúdo nacional. Que valorizasse a nossa cultura, os nossos compositores, os nossos atores, atrizes, enfim, aquilo que valorizasse a alma da gente”, afirma o empresário Luiz Calainho, do L21 Participações, grupo que une dez negócios, entre eles a Aventura Entretenimento e a Musickeria Corp, produtoras do espetáculo, que tem patrocínio do Bradesco.

Calainho adota também um discurso de valorização da cultura diante da crise econômica e política. “O Brasil merece um musical como SamBra, o samba tem uma importância gigante na nossa história. E, especialmente, nesse momento que a gente está vivendo, de muitas coisas acontecendo em nosso país, no campo econômico, no campo político, institucional, mais que nunca é necessário que a gente tenha orgulho da nossa arte. E se tem um segmento da arte brasileira que a gente deve ter muito orgulho é a música. E, dentro da música, sem nenhuma dúvida, o samba”, completa.

Escrita e dirigida por Gustavo Gasparani, o diretor conta que para resolver o desafio de abordar cem anos em pouco mais de duas horas e dois atos teve que estipular um limite para contar a história numa visão macro. “Resolvi ter como premissa os momentos de transformação do samba. Os primeiros passos em que o samba se criou e os momentos de transformação. Ou seja, começa no terreiro da Ciata, no início do século passado, numa situação quase familiar, íntima, vai para o Teatro de Revista, do Teatro de Revista ganha a cidade. E aí entra o rádio, o rádio leva para o país, vai dialogar com outras camadas sociais. Aí vai para o cinema, conquista o resto do mundo através de Carmen Miranda”, relata.

Gasparani cita também a bossa nova como nada mais que um dos tentáculos do samba. “Depois de conquistar o mundo, o samba volta para o Brasil e conquista as boates de Copacabana, vai sofrer uma influência do jazz e vai surgir dali a bossa nova, que nada mais é que um samba. E, nos anos 60, essa música suave, poética, lírica, das praias da zona sul, vai enfrentar a nossa ditadura, um período difícil, denso. E o samba vai se redescobrir na raiz, surge daí um dos grandes nomes Paulinho da Viola, já com uma influência de João Gilberto”, contextualiza.

A superprodução, digna de Broadway, tem nomes como Izabella Bicalho, protagonista de novelas como Roque Santeiro e Ti Ti Ti; a atriz, autora e produtora Ana Velloso, Lilian Valeska, uma das protagonistas do seriado Sexo e as Negas, no elenco. E ainda conta com o lendário Hélio Eichbauer, que assinou a cenografia da montagem icônica de O Rei da Vela, dirigida por Zé Celso, e que se tornou marco do tropicalismo.

“A cenografia dialoga o tempo inteiro com a pintura. De um certa forma, SamBra mostra o samba dialogando com várias outras artes. O teatro, a estrutura dramatúrgica é do Teatro de Revista, com as artes plásticas. A Marília Carneiro, que fez o nosso figurino, vai mostrando como era a indumentária em todos esses períodos, como se fosse uma viagem no tempo através do figurino”, afirma o diretor.

Gasparani sustenta que cada assunto, como a Tia Ciata no terreiro dela e a era do rádio dariam um musical separado. “Algumas escolhas, alguns personagens como a Beth Carvalho, o Martinho da Vila, o Donga, a Tia Ciata, eles são feitos pelos próprios atores. Outros vão aparecer como música. O João da Baiana, que é da primeira geração, não aparece na peça, mas aparece em música”, exemplifica.

Para o diretor, o samba atual vive sob a era do Cacique de Ramos, de onde surgiram nomes como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Sombrinha, Jovelina Pérola Negra e Luiz Carlos da Vila. “Outro movimento de transformação que a gente tem no nosso espetáculo é o movimento do Cacique de Ramos. O samba que começa no terreiro, ele termina no terreiro, no que eu considero a última grande revolução sonora. Vai surgir o banjo, o tantan, o repique de mão e vai ter um som mais pé no chão, mais popular. E eu acho que esse é o último movimento de transformação musical que o samba atravessa e influencia até hoje a geração mais jovem como a do próprio Diogo Nogueira”, sustenta Gasparani.

Filho de João Nogueira, o que torna seu DNA tão nobre quanto o da filha de Paulinho da Viola, Diogo conta que penou para pegar o ritmo de um elenco formado por maratonistas musicais, com jornadas de ensaios de oito horas por dia, todos os dias. Ainda assim, ele se mostra agradecido. “Para mim, foi um presente poder contar essa história”, diz, antes de completar com a simplicidade de quem nasceu balançando desde o berço na síncope do samba. “Estou me divertindo”, resume. Nós também.

 SERVIÇO

São Paulo

Data: 26 de março, quinta-feira
Local: Espaço das Américas (Rua Tagipuru, 795, Barra Funda, São Paulo)
Horário: 21h30
Abertura da casa: 19h
Classificação: 14 anos

Data: 27 de março, sexta-feira
Local: Espaço das Américas
Horário: 22h30
Abertura da casa: 20h
Classificação: 14 anos

Data: 28 de março, sábado
Local: Espaço das Américas
Horário: 22h30
Abertura da casa: 20h
Classificação: 14 anos

Data: 29 de março, domingo
Local: Espaço das Américas
Horário: 20h
Abertura da casa: 18h
Classificação: 14 anos

Ingressos: Ticket 360
Setor Azul Premium (inteira) – R$ 160,00
Setor Azul Premium (meia-entrada) – R$ 80,00
Setor Azul (inteira) –  R$ 120,00
Setor Azul (meia-entrada) – R$ 60,00
Lateral (inteira) – R$ 150,00
Lateral (meia-entrada) – R$ 75,00
Setores A, B, C, D, E e F (inteira) – R$ 100,00
Setores A, B, C, D, E e F (meia-entrada) – R$ 50,00
Telefone: (11) 3829-4899
Clientes Bradesco e Bradesco Cartões terão desconto de 20% sobre o valor inteiro do ingresso para o Espetáculo SAMBRA, 100 anos de samba. Tal desconto será válido somente para compras de até 02 ingressos por pessoa para cada sessão do Espetáculo, realizadas na bilheteria da casa de espetáculos e no site de venda online, através de cartões Bradesco. O desconto não é cumulativo com outras promoções, benefícios e/ou descontos de qualquer natureza, inclusive para o espectador que já tem direito à meia entrada garantida por lei.

Sem mais artigos