O músico Chico César, atual secretário estadual de Cultura da Paraíba, está no centro de uma polêmica envolvendo a participação de artistas de sucesso na maior festa do estado, o Maior São João do Mundo, em Campina Grande.

César declarou semana passada, em entrevista à uma rádio local, que o governo do Estado não iria apoiar a presença de “bandas de forró de plástico” no evento junino. Ele se referia a bandas como Aviões do Forró e Magníficos, que vendem milhares de CDs e lotam shows.

Depois de sofrer críticas pelas declarações, inclusive do secretário de Desenvolvimento Econômico de Campina Grande, Gilson Lira, César emitiu uma nota à imprensa nesta segunda (18) tentando justificar o que disse. 

Na nota, César esclarece que nunca cogitou proibir tendências, mas que cabe ao Estado apoiar artistas menos populares. “Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco”, escreveu o músico e secretário.

Leia a íntegra da nota de Chico César, que foi parar nos Trending Topics brasileiro do Twitter por conta da polêmica.

“Tem sido destorcida a minha declaração, como secretário de Cultura, de que o Estado não vai contratar nem pagar grupos musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino. Não vai mesmo. Mas nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso. O Estado encontra-se falto de recursos e já terá inegáveis dificuldades para pactuar inclusive com aqueles municípios que buscarem o resgate desta tradição. 

São muitas as distorções, admitamos. Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco. Vaias também recebeu Geraldo Azevedo porque ele cantava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festa junina financiada pelo governo aqui na Paraíba, enquanto o público, esperando a dupla sertaneja, gritava ‘Zezé cadê você? Eu vim aqui só pra te ver’.  

Intolerância é excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular.”

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