Desde 2009, quando lançou Fly, com Ja Rule, Wanessa passou por um novo direcionamento na carreira. Cantando pop eletrônico em inglês, principalmente house, ela conquistou os gays e se tornou uma espécie de madrinha deste público, com tanto poder de influência cultural, quanto econômico.

“Eu defendo porque eu acredito que todo ser humano tem a opção de amar quem ele quiser, independente da sua opção sexual”, diz a filha de Zezé di Camargo, ao Vigula Música. A entrevista foi concedida antes da participação do programa Pânico, na rádio Jovem Pan.  

“Hoje muita gente casa com mulher, depois tem uma relação com um homem, depois se apaixona por uma mulher de novo. Essa liberdade é muito positiva. Eu acho ótimo, eu não vejo nada contra. Eu sou contra assassino, eu sou contra gente que faz o mal, gente que corrupta, que rouba. Para ser contra gente que faz amor, é ridículo. É uma postura da sociedade que não cabe mais no tempo de hoje”, afirmou, após ser perguntada sobre o que tinha achado da postura de Daniela Mercury, que assumiu o casamento com uma mulher e saiu do armário disparando contra o inimigo público número um das minorias, Marco Feliciano.

Aos 30 anos, Wanessa é uma nova mulher. Junto com o sobrenome Camargo, deixou também suas antigas músicas, figurino, cabelo, concepções de carreira. Atualmente, ela divulga o single Shine It On, do seu novo álbum DNA Tour. O disco foi gravado em novembro no HSBC Brasil, em São Paulo, com apoio de Bryan Tanaka, coreógrafo de popstars como Rihanna e Beyoncé. A garota não para de crescer e recebeu o Virgula com a simpatia habitual.

Você está em uma fase pop eletrônica, o que você acha que uma música popular precisa ter para fazer sucesso?

Parece piegas o que eu vou falar, mas as pessoas tem que se indentificar com ela de alguma forma. Seja pela melodia, que às vezes são melodias gostosas, fáceis, que as pessoas cantam junto.

E também a letra, eu acho que os assuntos de amor são universais, então as pessoas se identificam muito. Quando você fala, por exemplo, de exaltar a alegria, a festa, é uma coisa também que funciona superbem.

Essas são as mais populares, vamos falar de amor e também festa, pular, dançar. Eu acho que é legal fazer o equilíbrio disso, eu tenho as músicas que fala, ‘vamos dançar, vamos brincar’, tem a música que fala, ‘eu te amo, você é o homem da minha vida’. E eu também procuro mesclar com outros assuntos que eu gosto tanto quanto e às vezes não são tão populares porque eu acho que é específico para pessoas que estão passando por aquilo. Música de identidade, deste existencialismo todo, outras dores que podem não ser tão populares também. Eu acho que ser popular também é o você ter o povo gostando da sua música, não é?

E política entra nisso?

Depende. Acho que depende do seu engajamento. Eu não me engajo em política na minha vida ainda. Eu me engajo em causas que acredito, como direitos homossexuais, como a preservação do meio ambiente, que são causas que eu gosto. Uma ou outra entidade que eu gosto de ajudar, a gente vai fazer agora um show para Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).

Especificamente, eu acho que entro mais nisso. Na política, é muito complicado, você tem que ter um conhecimento de verdade para ficar opinando sobre política. E religião também. É muito pessoal.

E para música pop com política?

Ela até cabe, se for mais abrangente. Por exemplo, eu gosto de estudar cabala. Eu vou fazer uma música só para falar de cabala? Acho que não funciona.

De ficar uma coisa panfletária você está falando?

Exatamente. A não ser que, por exemplo, Bob Marley tinha uma mensagem do rasta para disseminar. Então, é uma coisa forte nele. Já vi letras da Madonna, que eu sei porque estudo cabala, bem específicas para a mensagem da cabala. E as cristãs, católicas, isso depende muito.  

Como eu sou uma pessoa que tem uma religião bem abrangente também, eu sigo um pouco das coisas que gosto. Sou católica, casei na religião católica, sou batizada, mas não sigo a religião católica como a única na minha vida, eu gosto do espiritismo, eu gosto até de certas crenças do budismo. Bastante, aliás, eu acho muito bacana. Cabala não se intitula religião, mas é uma forma de ver a vida que eu acho bacana também. Então, eu vou um pouco em tudo, eu vou seguindo as minhas vontades.

Esta questão de cantar em inglês, eu estive outro dia com o Rick Bonadio, e ele disse que o pop nacional tinha perdido espaço para o internacional. Isto é uma forma de se proteger ou mesmo de ir para briga direto?

A minha escolha para cantar em inglês foi pelo simples fato de que para cantar o estilo de música que canto, fica muito melhor em inglês. Com o português uma ou outra casa, que é específico. No CD novo eu gravei uma com o Naldo, que é em português, que tem um ritmo bem interessante, uma mistura do eu estou fazendo, com o que ele está fazendo. Então, a gente mesclou e ficou uma bem legal.

Tem músicas que funcionariam em português, mas não são todas. A própria house é difícil você fazer house em português. Então, é mais por essa escolha.

Você acabou se tornando uma defensora dos gays, tanto pelo som, quanto pela postura, de defender os direiros individuais, a cidadania. O que você achou da questão da Daniela Mercury ter assumido sua condição e dizer que foi uma postura política, contra o Marco Feliciano?

Olha, eu acho que as pessoas têm que ser quem elas são, e fazer o que tem vontade. Todo mundo tem o direito de amar quem quiser. Eu defendo porque eu acredito que todo ser humano tem a opção de amar quem ele quiser, independente da sua opção sexual.

Hoje muita gente casa com mulher, depois tem uma relação com um homem, depois se apaixona por uma mulher de novo. Essa liberdade é muito positiva. Eu acho ótimo, eu não vejo nada contra. Eu sou contra assassino, eu sou contra gente que faz o mal, gente que corrupta, que rouba. Para ser contra gente que faz amor, é ridículo. É uma postura da sociedade que não cabe mais no tempo de hoje.

É importante para conscientizar as pessoas, acredita que o artista tem este papel?

Ele tem e pode usar isso como uma forma de tentar ajudar os seus interesses. Eu como cidadã tenho os meus interesses, eu também me preocupo com o meio ambiente. E como tem um público que me ouve, de alguma forma, por que não falar de um assunto que eu acho importante para todos nós? Então tem assuntos que eu acho que são importantes para todo mundo e eu adoro poder falar sobre isso.

E eu só falo quando eu tenho propriedade para falar, quando eu me engajo, quando antes de eu falar, eu me informei, eu conheci a causa, para poder falar, sou contra, sou a favor e tal.

É uma opinião, pode influenciar ou não. A minha intenção é expor uma coisa que eu acho legal, que realmente eu acho que vale a pena expor.

Você considera que esta aproximação com os gays e a sua música pop eletrônica fez com que você se reinventasse como artista, fez nascer uma nova Wanessa?

Teve vários lados bons. Assim, na verdade, eu já estava me reinventando musicalmemente. Eu passava por este processo de busca de uma nova identidade musical que era muito mais verdadeiro comigo no futuro, no presente. E quem abraçou esta música em massa foi o público GLTBS (Gays, Lésbicas, Transgêneros, Bissexuais e Simpatizantes.

Eu fiquei muito feliz de ter esse público abraçando. Não é meu público único, eu tenho héteros, mulheres, crianças que curtem também. Eu não fiz especificamente para o público gay, naturalmente aconteceu de eles se indentificarem e ter uma resposta maior deles, pelo fato de ser música eletrônica, que eles curtem para caramba.

Onde você espera chegar na sua carreira. O que te motiva?

Olha, eu ainda tenho que fazer show em muitos lugares do Brasil que ainda não fiz e tenho vontade, sim, de fazer uma carreira que possa alcançar lugares fora do Brasil. Eu tenho vontade.

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