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Arca (reprodução/Facebook Sónar)

Em sua 22ª edição aqui em Barcelona, o Sónar abriu os trabalhos nessa quinta (18) comprovando a tese de que é um festival capaz de agradar tanto quem busca a buena onda de uma pista de dança ensolarada sobre um grama sintética verdinha quanto um show sombrio e experimental dentro de um ambiente fechado e escuro.

E o melhor? Esses dois extremos convivem harmonicamente no Sónar desde a sua criação, em 1994. Ontem foi dia de explorar os cinco ambientes montados na Fira Montjuíc, pra onde a programação diurna do festival se mudou depois de anos ocupando o MACBA (Museu de Arte Contemporânea de Barcelona). O Sónar Dia teve que se mudar de sua antiga casa por conta de intensas reclamações da vizinhança, mas a mudança só veio confirmar o sucesso da porção diurna do festival, já que o espaço é bem maior e com isso palcos como o tradicional Sónar Village (o da graminha verde) ficaram bem mais confortáveis e há quase nada de vazamento de som.

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(reprodução/Facebook Sónar)

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(reprodução/Facebook Sónar)

Ano após ano, a programação do dia vem se aprimorando em encontrar o equilíbrio entre o que há de mais esquisito no mainstream e os novíssimos artistas que estão dando o que falar. O palco SónarHall recebeu dois ótimos exemplos dessa diversidade ontem, com o show avassalador do venezuelano Arca e a apresentação muito louca do inglês Autechre, que tocou, literalmente, no breu.

Sozinho no palco, o magrelo Arca mostrou um pouco daquilo que arrancou a tampa do cérebro da cantora Bjork, que de boba não tem nada e o chamou pra produzir boa parte de seu novo álbum, Vulnicura. O menino é um arraso. Usando um corpete preto e uma bota plataforma até o meio do joelho, compondo um visual totalmente little monster, ele é mesmo tudo isso que o povo tem falado. Seja apenas programando beats que parecerem fazer origami com as ondas sonoras ou cantando – muito bem – com o microfone na mão em frente de um palco zerado de cenografia, Arca lotou o palco de gente em busca de esquisitices, enquanto lá fora o sol rachava o coco de quem buscava um sonzinho mais maneiro no Sónar Village.

Arca

Arca (reprodução/Facebook Sónar)

Sente o gostinho de como foi o show do rapaz:

Também chama a atenção no show de Arca as projeções do diretor de filmes Jesse Kanda, inglês que é uma espécie de Chris Cunningham da nova geração com suas imagens de bebês mutantes e mulheres deformadas.

Veja o clipe de Thievery, do Arca, dirigido por Jesse Kanda

Muito legal também ficou a área Sónar + D, área voltada para palestras, criatividade, tecnologia e negócios do festival. Entre outras coisas estava lá dando pinta ontem este robozinho, na verdade uma aranha mecânica chamada Nyloid.

sonarhall

No Sónar Village o dia foi de dividido entre DJs e lives espanhóis (Skygaze, Sta, Innercut), o dinamarquês Kasper Bjørke e o inglês Felix Dickinson, que preparou o público para o headliner da quinta-feira, o grupo inglês Hot Chip. Com disco novo no pedaço, Why Make Sense?, eles mostraram os hits que todo mundo queria ouvir e ainda mandaram um cover incrível de Bruce Springsteen. Foi lindo e dá pra ouvir o show inteiro aqui

Hot Chip

Hot Chip (reprodução/Facebook Sónar)

Hot Chip toca Dancing in The Dark:

Nesta sexta tem mais, muito mais, e no meu wishlist tem show de Arthur Baker, Floating Points, Squarepusher, Die Antwoord, a musa Roisin Murphy, Daniel Avery, Seth Troxler, Jamie XX, repeteco de Hot Chip e, ufa, Roman Flugel. Não me odeiem, o Sónar desembarca no Brasil em novembro (de 24 a 28) e neste sábado tem coletiva aqui em Barcelona contando parte do line-up em primeira mão. Fica de olho.

Quer saber mais? Dá uma olhada nessas fotos lindíssimas do primeiro dia do Sónar:

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