O grupo novaiorquino Sonic Youth subiu ao palco Consciência às 19h08, debaixo de uma chuva que pretendia estragar os ânimos da plateia. Mas dadas as circunstâncias adversas – por conta do divórcio do guitarrista Thurston Moore e a baixista Kim Gordon após quase trinta anos de relacionamento, este pode ser o último show da carreira da banda – nenhum fã quis arredar o pé do lugar.

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Mesmo que um pesado clima de despedida tenha marcado a apresentação, o set list do Sonic Youth não sofreu alterações radicais em relação aos shows anteriores da turnê. Thurston e o baixista Mark Ibold surgiram sorridentes no palco, ao passo que o guitarrista Lee Ranaldo fez questão de dar um “olá” no microfone, antes de iniciarem o show com Brave Men Run (In My Family).

A apresentação começou em um ritmo regular, mas depois esquentou com a visceral Death Valley 69. A tensão da música parece ter ganhado um outro significado para a plateia, pois nesta música Thurston e Kim dividem simultaneamente os vocais. O show inteiro foi permeado pelo frenesi de que este pode vir a ser o show derradeiro do grupo. Mas nada disso transparecia entre os dois rockstars no palco; seria injustiça dizer que estavam se tratando com frieza, pois os dois nunca foram de trocar afagos em público.

Apesar deste clima pouco propício, não era difícil enxergar o baterista Steve Shelley e Mark Ibold sorrindo durante a apresentação. Talvez justamente para apaziguar os ânimos dos presentes, Thurston se dirigiu à plateia após a épica Cross The Breeze, apresentando a banda. “Senhoras e senhores, nossa banda se chama Sonic Youth e somos de New York City. É uma honra estar de volta no Brasil, aqui juntos mais uma vez com todos os nossos lindos irmãos e irmãs brasileiras”. Em seguida, o grupo tocou Schizophrenia.

Para espectadores desavisados, um show do Sonic Youth pode ser uma verdadeira tortura sonora sem sentido, pois a banda tem predileção por esticar suas músicas com longos improvisos de puro barulho guitarrístico. Quem não gosta, foi pra arquibancada se proteger da chuva. Quem gosta, teve um prato cheio com os crescendos de Flower, Starfield Road – construída totalmente em cima de cacofonias e microfonias – e a parte final de Mote, na qual o grupo promoveu uma grande viagem sonora, com Thurston maltratando sua guitarra e amplificador até largar o instrumento em cima de uma câmera da produção do SWU.

No final de Sugar Kane, Thurston mais uma vez foi ao microfone, desta vez para agradecer ao público por ter suportado a forte chuva. “Vocês foram lindos e excepcionais, mal posso esperar para vê-los novamente”, disse, dando uma pista que talvez possamos contar com novos shows do Sonic Youth no futuro.

O grupo finalizou seu set com o hino alternativo Teenage Riot, emendando também com mais uma sessão noise que durou cerca de 5 minutos. Ao final do barulho, Thurston se sentou no degrau da bateria, cruzou as pernas e ficou admirando o público, com uma expressão enigmática – pra variar, o músico estava com seus cabelos cobrindo o rosto. Difícil tentar imaginar o que se passava na cabeça do músico, mas nas mentes dos fãs, um misto de melancolia e alegria já poderia ser considerado unânime.

Set list

01 – Brave Men Run (In My Family)
02 – Death valley 69
03 – Sacred Trickster
04 – Calming the Snake
05 – Mote
06 – ‘Cross The Breeze
07 – Schizophrenia
08 – Drunken Butterfly
09 – Starfield Road
10 – Flower
11 – Sugar Kane
12 – Teenage Riot


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