Finalista do SuperStar, programa da TV Globo que acaba neste domingo (06), a Suricato percorreu um longo caminho para chegar lá. “Olhando a vida de outro aspecto agora, eu não tiraria um dia tocando em churrascaria, tocando em barzinho que realmente foi o que me deixou sólido para chegar agora em um momento como esse e não ficar envaidecido, no sentido negativo. Eu analiso como a consequência de um longo trabalho, você sendo merecedor do lugar que você está agora”, afirma o vocalista e guitarrista Rodrigo Suricato.

“Já passei por todo circuito de barzinho. Isso fez com que eu exercitasse muito meu canto. Que eu entendesse um pouco como lidar com as pessoas. Você, na linha de frente, entender o público e os desejos do público”, diz o músico, que mostrou em rede nacional que as águas lamacentas do Mississippi, que deram origem ao blues e ao rock, já se tornaram potáveis para as massas. 

“A gente tocou um blues dos anos 20 no último programa e todo público de axé gostou, o púbico de pagode gostou. Isso prova por A mais B que você gostar de pagode e música clássica não são sentimentos excludentes”, defende o músico. “Quem ganhou muito com esse programa, que tem toda a chance de revolucionar a música brasileira, sem nenhum exagero, é a diversidade. Como diz o Gilberto Gil, o povo sabe o que quer, mas o povo também quer o que não sabe”, cita.

Como um bom estrategista, o músico sai pela tangente quando a reportagem pergunta se haverá surpresas na apreasentação final. “A gente ainda não decidiu o que a gente vai fazer na final, vai ficar um pouco para cima da hora mesmo. A gente vai esperar no dia e sentir um pouquinho qual vai ser o clima”, desconversa.

Além da experiência nos bares da vida, para entender a desenvoltura do Suricato nos palcos é preciso lembrar também que os músicos da banda desenvolveram sua “cancha” ao lado de cancionistas como Nando Reis e Paulinho Moska.

Rodrigo lembra da experiência como algo que os deixou mais cascudos: “Você ter a oportunidade de exercitar o seu repertório autoral para um púbilco que não está lá necessariamente para te ver, é muito bom. Sem falar também que ter o próprio artista da noite dando uma canja no seu show é muito gratificante, funciona quase como se fosse uma benção. Te dá tanbém uma cancha de palco você tocar para muita gente que faz com que você se sinta mais seguro”, resume.

Ele conta também que passou a receber muitas dicas, com a exposição alcançada pelo programa. “Você anda na rua, todo mundo te reconhece. O que é legal é que os milhões de técnicos de futebol agora também são produtores musicais. Então eles sugerem música, eles falam do estilo”, afirma.

Estilo que também se reflete no visual da banda, algo que só alguém muito ingênuo dissociaria da música comercial. “Todo mundo tem uma característica bem definida. Os chapéus já são uma marca da banda, todo mundo usa, as pulseiras, alguns detalhes étnicos que são coisas que já usávamos no dia a dia e por afinidade a gente viu que tem tudo a ver com a banda e como tem gente que curte esse tipo de coisa”, explica.

Com a experiência bem sucedida na TV, Rodrigo dá dicas para quem batalha no front do rock. “Eu acho que a banda não tem que ter medo de se expor, de colocar a cara a tapa. Tem duas coisas, tem muitas bandas que se protegem sobre uma sigla de underground e isso gera um protecionismo delas e eles ficam tocando para poucos amigos durante a vida inteira. E eu acho que não deve ser assim. Eu acho que elas tem que conquistar o público da Ivete Sangalo, do Raça Negra… A boa música, ela pode ser absorvida e compreendida por muita gente. Por que a gente vai se dividir, se a gente pode se multiplicar?”, questiona.

O músico vai fundo ainda ao traçar um paralelo entre o momento musical atual no país e as caravanas ciganas. “As pessoas estão reinventando os próprios caminhos. Praticamente como era no inícios, com as caravanas ciganas percorrendo as cidades e as pessoas pagavam o que podiam durante a apresentação. A gente está vivendo um momento na espiral da vida muito parecido com isso, como é o crowdfunding. O público é um agente direto no financiamento da carreira do artista”, exemplifica.

A desenvoltura da banda no programa já começou a mexer com o mercado. “É algo muito novo na música brasileira, com novos instrumentos, valorizando uma sonoridade muito particular, uma qualidade técnica também. Veio ao encontro de tudo que a gente procura. Eles têm como diferencial a qualidade do trabalho autoral, que traz belas composições com letras e arranjos que com certeza estão emocionando muita gente”, diz Flávio Pinheiro, diretor executivo da Musickeria, empresa multiplataforma, de projetos como o Sambabook.  

A Musickeria Foco, braço da Musickeria dedicado a gestão de carreiras, está começando a atuar com Suricato e Laila Garin, vencedora do Prêmio Shell de Teatro pela atuação como Elis Regina em Elis, A Musical. “A Musickeria já nasceu com o pensamento de ser uma companhia 360º que atuaria nas mais diversas frentes de música, desde a produção de conteúdo até a ativação de projetos para a iniciativa privada, agências de publicidade, produzindo grandes eventos e obviamente o lado de agenciamento, de gestão de carreiras, também estava nos nossos planos”, diz Pinheiro.

O Suricato, por sua vez, não pensa pequeno. “É a perspectiva de carreira. De você fazer isso não um cometa, mas um trem. Poder chegar nos lugares com as nossas músicas. É o início, é o Big Bang, digamos assim, do Suricato. Onde você pode ir na favela e num evento de elite e todo mundo já sabe o que é Suricato, todo mundo já ter ouvido falar nisso. É o grande início para você poder trabalhar essa marca ao longo do tempo”, projeta Rodrigo.  

O caminho é longo, mas muita pedra há de rolar.

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