Já fora da cidade do Rio de Janeiro, mas ainda dentro do cenário que abraça o samba carioca, existe um verdadeiro templo para os amantes do gênero musical: o Candongueiro. Naquele terreno já pisaram nomes como Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Monarco, Marisa Monte, Aldir Blanc… A lista é interminável. O lugar é um pouco afastado da capital, mas mesmo assim tem os seus sábados lotados. Na Estrada Velha de Maricá, Niterói, se ergue este barracão com a mística de um verdadeiro quilombo, que acolhe quinzenalmente, aos sábados, artistas consagrados do samba nacional. Para alguns, cantar no Candongueiro em algum momento da carreira é quase obrigatório.

O Candongueiro recebeu o nome do tradicional instrumento de percussão das rodas de jongo e samba e foi fundado há 23 anos pelo pandeirista Ilton Mendes e sua mulher, Hilda. Na época, o casal organizava rodas de samba informais entre amigos nos fundos de casa. Com o passar do tempo, o número de frequentadores aumentou e foi construído um quiosque de sapê para abrigar aquele que se tornaria um dos maiores eventos do samba de raiz do Rio e região. O quiosque depois deu lugar ao barracão que hoje fica lotado na presença de músicos e compositores.

A roda de samba começa às 22h30 e estende-se pela madrugada, sem intervalo. Quem chega cedo ainda tem chance de escolher uma mesa para apoiar os copos e pratos – sim, porque sentar não está nos planos de quem vai assistir à roda. Depois, é só desfrutar da atmosfera vibrante acompanhado de cerveja gelada e da especialidade da casa: pastel de siri. Ainda pode experimentar outras delícias do cardápio, como carne seca com aipim, caldinho de feijão ou sardinha frita – tudo preparado na cozinha da Hilda.Na roda, quase sempre estão Paulinho Marques, no violão, Serginho Procópio e Wanderley Monteiro no cavaquinho e voz, Wander, no outro violão, Iracema, na voz, Ivan, no Clarinete, Marquinho Basílio, Marcelo Pizzotti, Vinicius e Ilton na percussão. A partir da meia-noite, chega o momento mais esperado da festa: se apresenta o convidado especial. Neste papel já estiveram Zé Kéti, Marisa Monte, Aldir Blanc, Beth Carvalho, Dudu Nobre, Guilherme de Brito, João Nogueira, Manacéia, Monarco, Nelson Sargento, Nei Lopes, Noca da Portela, Paulo Moura, Teresa Cristina, Zezé Motta e as velhas guardas da Portela, da Mangueira e do Império Serrano.

O compositor Wilson Moreira fez o primeiro show do Candongueiro e atualmente lidera a roda um domingo por mês, com feijoada. A casa sofreu uma reforma há cerca de dois anos, se expandiu e ganhou um bar logo na entrada. A qualidade do som também melhorou com a presença de um técnico e de nova aparelhagem. Mesmo assim, para quem vem de longe, é bom chegar cedo para não correr o risco de não conseguir entrar, especialmente em dias com atuações de alguém mais conhecido, como Dona Ivone Lara ou Velha Guarda. Se já entrou, é só pedir a gelada e fazer parte do canto coletivo da família Candongueiro.

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