Tiago Iorc canta em inglês, tem música em trilha sonora de novela e já foi apontado como a revelação do pop nacional, tudo pela boa recepção de seu trabalho pelo público.

Apresentou-se no importante festival alternativo South by Southwest em março de 2013, e desde então, concilia os shows internacionais com os no Brasil. O músico está em turnê do seu disco mais recente, Zeski, com músicas em inglês e português e participações da cantora Maria Gadú, do cantor Daniel Lopes e Silva

Leia a entrevista na íntegra.

Como você escolheu os colaboradores do disco Zeski, Daniel Lopes, Maria Gadú e o cantor Silva?
Não foi nada planejado. Em outubro de 2012 tive as primeiras conversas sobre a produção do disco. Comecei a organizar o repertorio e eu o produtor Maicon Ananias não tínhamos noção do que seria o disco. Durante o processo surgiu a ideia de gravar músicas em português, fazendo o disco com as composições em inglês e um segundo momento no qual eu abraçaria amigos meus para cantar em português. Foram escolhas naturais, o pessoal que eu já convivia. Já havia uma ligação de amizade e compartilhamento das mesmas vontades musicais. 

É diferente o processo de criação para compor em inglês e em português? 
É curioso porque o inglês para mim é a primeira língua, pois morei na Inglaterra quando era criança. Mas é um pouco confuso. Às vezes minha cabeça funciona mais em inglês e outras em português, as letras se encaixam melhor numa melodia ou em outra. Na verdade, é uma questão de harmonia mesmo, o que faz sentido e se mostra harmonioso no resultado final.

O clipe de Forasteiro foi muito comentado nas redes sociais. Os seus três vídeos já somam mais de 1 milhão de visualizações no YouTube. A que você atribui esse sucesso?

Esse é um dos termômetros que indica que as pessoas estão gostando das músicas. O legal da internet e do vídeo é romper as barreiras físicas com um grande alcance, mas para mim, o objetivo disso tudo é estar em contato com as pessoas durante os shows. De fato, o número de visualizações na internet está resultando em mais pessoas se interessando na minha música. O clipe de Forasteiro aconteceu por acaso, mas era pretendido de uma forma ou outra. A ideia em si foi por acaso, porém durante os shows nos festivais nos Estados Unidos e no Canadá, fiz questão de viajar com o Rafael Kent, fotógrafo e vídeo maker de São Paulo. Viajamos para produzir esse material, tanto que produzimos todas as imagens de divulgação, a capa do disco e outros 4 vídeos.

Você canta as músicas em português nos shows que faz nos festivais internacionais?
Nessa viagem para Austin, no festival SXSW e no Canadá, toquei músicas em português e tem sido muito legal essa experiência do último disco (Zeski). Faz parte de mim ser brasileiro e cantar em português, o que trouxe uma característica que estava faltando no meu trabalho. Percebi isso nessas viagens. As músicas em português se tornam uma iguaria para o público de lá, não é desinteressante porque está sendo cantada em outra língua, pelo contrário. E no Brasil, desde o início me surpreendi com a receptividade das canções em inglês, porque quando comecei a fazer música não tinha ideia de como seria, não tinha padrões, fazer musica assim ou assado para agradar um tipo de público.  Simplesmente fiz e tem funcionado das duas formas.

 

E como é ter as suas músicas em trilhas sonoras de filmes e novelas?

No meu caso, a vontade é de espalhar minha música. Por isso, nem passou pela minha cabeça se ia rolar algum preconceito. Não me preocupa, porque,  independente de onde estará a música, sempre vai ter pessoas que gostam ou não por diferentes motivos. E sempre foram músicas que estavam prontas que foram selecionadas. Eu nunca compus sob encomenda para determinado projeto, embora seja do meu interesse. Não vejo como necessário para a música estar encaixada em determinado segmento, por isso não presto atenção em como e se rotulam meu estilo. Há talento, qualidade e diversidade de sobra na música brasileira.

Sem mais artigos