Com doze anos de estrada, a banda
de reggae Via-Jah, de Niterói, é um destaque no cenário musical do estado do
Rio de Janeiro. Formado por Thiago Moura, Cícero Dias, Fábio Muniz, Marcos
Valério e Marcelo Nestler, o grupo vem percorrendo o interior fluminense para
divulgar o álbum “Somos Nós”, lançado em janeiro de 2013.

A cada show os
regueiros são surpreendidos por uma plateia lotada que mostra já conhecer o
novo trabalho “de ponta a ponta”, como faz questão de frisar Thiago Moura na
entrevista que você confere a seguir.

No papo com o Virgula, o músico comenta
ainda as parcerias com MV Bill e Mr. Catra e o documentário que vem sendo
produzido sobre a trajetória da banda. Acompanhe:

Como e quando você descobriu o talento para
a música?

Cantei pela primeira vez em
2001, em um bar na Praia do Sono, em Paraty. Eu não era cantor, mas disse que
era. O dono do bar gostou e me chamou para cantar com minha banda,  que ainda não existia. Desde então nunca mais
parei de cantar. Gosto de vários ritmos diferentes, do reggae ao funk. Sempre
misturo várias informações ao meu reggae, tentando deixar ao máximo com a minha
cara.

Fale um pouco sobre o início da banda.

A banda foi formada a partir dessa proposta na
Praia do Sono. Juntei uns amigos que tocavam e começamos a fazer nossas músicas
e produzir nossos próprios shows. Começamos em um bar perto de nossas casas, em
Pendotiba, o Carlinhos Bar. Depois passamos a tocar em outros locais em Niterói
até surgirem propostas de produtores para levarmos nossos shows a outras
cidades.

O reggae é um dos estilos musicais mais bem
sucedidos no Brasil. Em sua opinião, a que se deve essa boa aceitação?

Acredito que muito ainda pode ser feito pelo
reggae no país quanto a sua própria história. Muitos dos precursores foram meus
professores e vejo uma galera nova que curte o reggae, mas que não tem a oportunidade
de conhecer o som deles. Eles se vão e o legado deles fica perdidos com falta
de acervo. A gente tinha um movimento de reggae muito legal em Niterói que foi
se perdendo assim, na dispersão das bandas com o fechamento da Cantareira.

De que trata a música gravada em parceria com MV Bill?
O tema ainda não podemos
divulgar, mas vem música com crítica social por aí. Já gravamos a guia em
instrumental e mandamos para ele ouvir. Agora vamos gravar alguns instrumentos
e minha voz, para depois enviar para que ele grave a sua parte. Acho que vai dar
uma força bem positiva ao Via-Jah gravar uma música com Bill, de quem eu sou fã
há mais de 10 anos. Fizemos alguns shows juntos ultimamente e todos do Via-Jah
estão bem satisfeitos com essa parceria.

E sobre a parceria com o grupo do Mr. Catra, o que você pode adiantar?
Temos feito uns trabalhos
em parceria com o Catra no Família Sagrada Família, umas parcerias em shows pelo
Rio de Janeiro. Planejamos também gravar algo junto com o FSF. Estamos já
começando a nos reunir no estúdio do Catra para decidir o que gravar, mas deve
vir algo como um reggae com funk e algo com rap também.

Vocês irão lançar um doc sobre a trajetória
da banda, certo? Em que pé está esse projeto?

Gravamos uns takes e agora
estamos começando a aprender a edição. A ideia é fazer tudo por nós mesmos, com
a ajuda do nosso fotógrafo Fabricio Pascale, que tem nos acompanhado nas
viagens filmando algumas coisas para usarmos nesses vídeos. Iremos contar a
história da banda, coisas engraçadas que nos aconteceram, mostrar músicas
nossas em acústico, como fazemos as letras, o processo de criação no nosso
estúdio, além das viagens para shows. Estou muito contente com esse projeto,
que para mim fará esse papel de acervo cuja falta, como eu disse anteriormente,
praticamente extinguiu bandas criadoras do movimento reggae original.

Vocês recentemente fizeram turnê pelo
interior do RJ. Como foi a recepção do público?

A gente faz muito interior
do Rio. O público é muito fiel a nós e nossos shows por lá são sempre lotados, com
todos cantando nossas músicas. Isso não tem preço que pague! O nosso segundo CD já
é cantado por lá de ponta a ponta. Tivemos uma aceitação muito boa em todas as cidades
pelas quais passamos.

Após essas viagens, imagino que vocês tenham
visto muito do que o RJ tem a oferecer…

Realmente, tem muitos lugares
lindos nesse Rio de Janeiro. Gosto muito de estrada, então fica até difícil
escolher o que de melhor há por aqui. Os lugares para onde eu gosto de ir para
tocar e também para me “esconder” são Ilha Grande, Búzios, Sana e Recreio dos
Bandeirantes. Tenho muitos amigos por esses lugares e considero-os meus refúgios.

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