O francês Olivier Dahan, diretor do filme Grace: A princesa de Mônaco, que abrirá o Festival de Cannes, afirmou neste domingo se sentir insultado pelos ataques feitos ao filme pela família real de Mônaco, que alega que a história não corresponde à realidade.


“Nunca pretendi fazer um ‘biopic’ (cinebiografia). Não há nada que mereça causar um drama. Há coisas reais e outras inventadas: é meu direito à ficção. Mas quando leio em seu comunicado que tudo foi feito com fins comerciais, me sinto insultado”, declarou o cineasta hoje em entrevista ao semanário “Le Journal du Dimanche”.

Dahan declarou que “nunca” havia passado por situação parecida, e reconheceu que não sabe o que preocupa os Grimaldi.

Em comunicado divulgado no dia 2, a família monegasca dizia não querer “de modo algum estar relacionada a um filme que não reflete a realidade”, e lamentava que sua história tivesse “sido alvo de uma tergiversação com fins puramente comerciais”.

O filme, protagonizado por Nicole Kidman e que abrirá nessa quarta-feira (14) o Festival de Cannes fora de competição, começa em 1962, seis anos depois do casamento de Grace Kelly com Rainier III.

O momento, segundo Dahan, foi “crucial” para a outrora estrela de Hollywood, já que nesse ano Alfred Hitchcock lhe propôs participar de seu novo filme, “Marnie, Confissões de uma Ladra”, no qual acabou não atuando, por ordem do Palácio.

A produção, no entanto, só chega aos cinemas em janeiro de 2015. Esse foi um dos motivos da reação do diretor: “Tenho certeza de que só viram o trailer”, criticou, sobre as ressalvas de Albert II e de suas irmãs, as princesas Caroline e Stéphanie, e acrescentando que não foi informado de que a família real pediu uma cópia do filme.

O cineasta defendeu que é um artista, “não um historiador”, e lembrou que o que o atraiu na história foi analisar “a que parte de si mesma Grace Kelly teve que renunciar” ao assumir seu novo papel no Principado, onde, para Dahan, lançou a noção de “princesa moderna”.

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