(crédito: Divulgação)

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Quando apontado como o novo Batman, Ben Affleck foi o que mais apanhou nas primeiras semanas após o anúncio de Batman vs Superman – A Origem da Justiça. E depois disso tudo, a escolha do ator se mostrou mais do que acertada, mesmo sendo em uma superprodução que fica muito aquém do que esperado quando falamos dos dois principais personagens da DC Comics nas telonas. Além de Affleck, o filme conta Henry Cavill repetindo seu papel de Superman de Homem de Aço, assim como o diretor Zack Snyder.

Aos fãs da trilogia mais recente de Batman, encabeçada por Christopher Nolan e Christian Bale, que foram ao cinema para “caçar” Ben Affleck, não percam tempo. Depois do fiasco de seu Demolidor, de 2003, o ator e diretor montou uma boa trinca com Bruce Wayne e o Homem-Morcego. A Origem da Justiça tem problemas muito maiores. O maior deles é que a maior parte das 2h33 do filme é arrastada e demora a cativar o espectador. Fãs exaltados vão gritar e aplaudir no cinema, mas a verdade é que esta é uma história que foi mal contada.

A primeira metade do filme parece ter sido editada de forma apressada. Existe uma preocupação de “recap”, ou seja, relembrar todo o contexto das histórias de nossos heróis e nos preparar para entender onde suas bagagens emocionais foram criadas. Essa correria de cortes, principalmente para contar a história de Batman, transforma essa abertura em uma colcha de retalhos de informações, sendo que boa parte delas é mais do que conhecida pelo público em geral. Quantas vezes você viu o pequeno Bruce Wayne presenciando o assassinato dos pais ou caindo na caverna sendo cercado por morcegos?

São tantos flashes de informações jogadas no nosso colo sem um fio condutor que esquecemos que existe todo um porquê daquilo. Aonde estávamos indo? É o suficiente para você não se lembrar mais que Batman e Superman estão prestes a cair na porrada. Não existe uma condução crescente que uma batalha tão épica como esta pede. E pede muito.

Jesse Einseberg é que se sai bem neste ponto. Em seu Lex Luthor, uma versão mais “hipster” e com boas doses de maluquices, o ator consegue se destacar e levar seu vilão de forma suave e sem exageros. Ele controla o jogo até o momento apropriado. Caso similar ao de Gal Gadot, a Mulher-Maravilha. Sua presença na tela como a personagem é notável, assim como a reação da plateia ao vê-la. Embora o espaço seja infinitamente menor que dos protagonistas, seu território já está mais do que demarcado para as sequências da DC.


Outro ponto alto são algumas cenas de luta. Fica nítida a inspiração de alguns movimentos do Batman de Affleck no elogiado game Batman Arkham City, tornando seus combates dinâmicos e com porradas que quase dão pra sentir pela através da tela. O mesmo não é possível dizer de outros combates, como a luta com Apocalypse. Há momentos em que o uso exagerado de recursos gráficos inundam a tela a ponto de nos lembrar brigas de monstros e robôs de heróis japoneses dos anos 90.

Na realidade, embora Batman vs Superman esteja muito aquém da trilogia de Nolan ou de seus rivais da Marvel quando falamos em filmes grandiosos, seu maior trunfo é justamente cravar este lugar da DC Comics nas telonas do cinema. O filme é um claro atestado de que tanto a editora quanto a Warner estão dispostas a entrar de cabeça no universo DC  e expandir ainda mais esses mundos e interações de seus heróis, como será o caso de Liga da Justiça Parte Um e Mulher-Maravilha, previstos para serem lançados em 2017.

Esse é o máximo de otimismo possível a ser tirado do tão decepcionante Batman vs Superman.

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