O remake de O Rebu estreou na Globo nessa segunda (14), às 23h, quase 40 anos depois da estreia do original – ocorrida em 4 de novembro de 1974. E como já era esperado – e havia sido anunciado -, muitas foram as mudanças em relação à primeira versão. Compare agora as principais diferenças:

Abertura
A original mostrava ilustrações caricatas dos convidados de uma festa de gala, ao som de música meio circense, num ritmo um tanto lento.

A versão nova trouxe uma abertura “cool”, exibindo recantos da enorme mansão onde se passa a trama, com música instrumental, clima e iluminação totalmente inspirados em filmes de suspense de Hollywood.

Início
A novela começava com a manhã seguinte à festa oferecida pelo milionário Conrad Mahler (Ziembinski) em sua mansão. A polícia chegava para investigar um assassinato cometido durante a festa. O investigador (Edson França) interrogava Conrad sobre algum suspeito – sem saber que Conrad era o assassino.

A nova versão abriu diferente: um plano-sequência mostrando a festa no seu auge, e alguns dos personagens dançando freneticamente, visivelmente bêbados. A misteriosa relação entre Ângela Mahler (Patrícia Pillar) e Duda (Sophie Charlotte) já foi lançada aqui. A garota sobe ao palco e canta Sua Estupidez (de Roberto e Erasmo Carlos), dedicando a canção ao seu “grande amor”: Bruno (Daniel de Oliveira).

Flashback
Em 74, vinha um flashback, remontando à noite anterior, o início da festa. Convidados começam a chegar à mansão, cozinheiros preparam tudo. Logo surge um esboço de relação entre o penetra Boneco (Lima Duarte) e uma dondoca, Bubu (Yara Côrtes). Através das lembranças de Boneco, descobrimos que ele é um picareta que assaltou uma casa, onde encontrou o convite para a festa de Conrad.

Na versão nova, Boneco virou Alain (Jesuíta Barbosa). Ele pouco foi visto neste capítulo de estreia, a não ser fugindo da festa pilotando uma moto – roubada? Detalhe: Jesuíta é craque em pilotar motos, como foi visto no filme Praia do Futuro. Depois, apareceu chegando em casa e conversando com a mãe.

Beatles & Disco Music
Em algumas cenas da festa original, podemos escutar ao fundo uma versão instrumental de Yesterday, dos Beatles.

Já no remake, a cena inicial na pista de dança foi ao som de Don’t Let Me Be Misunderstood, versão disco. Vale lembrar que essa canção já foi tema das duas versões da novela O Astro (1978 e 2011). Amy Winehouse também foi ouvida no capítulo de estreia da versão 2014.

Triângulo amoroso gay
Sílvia (Bete Mendes) aborda Cauê (Buza Ferraz), seu namoradinho. Os dois travam uma pequena discussão no jardim. O motivo da tensão: Cauê é sustentado por Conrad, de quem é uma espécie de filho adotivo, e com quem tem um caso. Sílvia é a pedra no sapato – e por esse motivo será morta por Conrad durante a festa.

Depois da discussão de Cauê e Sílvia, temos um flashback do rapaz: numa noite, ele chega em casa tarde e é questionado por Conrad. Os dois discutem, Conrad esbofeteia Cauê, que reage esmurrando o “velhote” até derrubá-lo no chão.

Na versão nova, tal triângulo teve uma inversão de sexos: Ângela Mahler tem uma misteriosa relação com sua filha adotiva Duda. E o pivô do ciúmes é Bruno. Assim como no original, o pivô será morto: Bruno estava boiando na piscina, sem vida, já nas primeiras cenas do capítulo de estreia.

Essa é uma grande diferença entre as duas versões: no original, a identidade do morto só era revelada na metade da novela. Até então, o público se perguntava: quem matou e quem morreu? Desta vez, teremos mesmo somente uma pergunta: quem matou? Se o roteiro original fôr mantido, a resposta é Ângela Mahler.

Produção
O original tinha uma produção relativamente simples, para os padrões da Globo na época. A mansão não era faraônica, e o jardim e a piscina eram até modestos.

Já o remake esbanja sofisticação, luxo, glamour. Tudo é gigantesco: a casa, o jardim, a piscina, a cozinha. Para o remake, mais é mais.

Cinema x TV
A novela de 74 se parecia com alguns filmes policiais e de suspense da Hollywood dos anos 70. As cores berrantes dos figurinos e os penteados extravagantes flertavam também com filmes italianos. E por que não, um toque de Tarantino – afinal, o cineasta atual bebe diretamente na fonte dos anos 70.

O remake por sua vez opta pelas atuais séries da TV norte-americana, especialmente as policialescas. A iluminação fria e acinzentada, os figurinos escuros – basicamente a cartela de cores da novela fica no preto, cinza, tons de grafite -, o clima sinistro: tudo lembra o universo dos seriados policiais.

E ainda tivemos lances de atualidade, com os convidados tirando selfies, postando no Facebook e no Instagram, comentando, curtindo, brandindo celulares e iPhones.

Assista ao capítulo de estreia de O Rebu original aqui:


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