Se você é desses que acham que não dá para inovar mais nada no cinema, precisa ver Tangerine. Nunca ouviu falar desse filme? Pode ser, mas em breve ouvirá, porque o longa já está virando assunto por aí.

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O filme tem roteiro de Chris Bergoch e Sean Baker, e direção deste último. E a história é bem simples: as travestis Alexandra e Sin-Dee, amigas inseparáveis, se reencontram quando Sin-Dee sai da cadeia. Alexandra conta para Sin-Dee que o namorado desta, o bofe mano Chester, está namorando uma garota. Sin-Dee surta e sai pelas ruas disposta a matar o “bofe” e a “racha”.

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A partir daí a trama se desenvolve, acontecendo durante apenas um dia – é a véspera de Natal, e os personagens se deparam com mil perrengues (tipo, todo mundo é meio f… na vida). Alexandra faz programas para descolar uns trocos enquanto divulga seu show num bar, a “racha” de Chester é uma prostituta de quinta, o taxista Razmik tem uma família infernal…

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A estrutura do roteiro e até o tipo de filmagem lembram um pouco o essencial Kids (1995, de Larry Clark), que acaba de completar 20 anos. Lá, a garota Jennie (Chloe Sevigny) passava o dia (e a noite) em busca de seu ex-peguete Telly (Leo Fitzpatrick), porque tinha descoberto que era soropositiva e concluiu que Telly era o transmissor do HIV.

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Em Tangerine, Sin-Dee se joga numa jornada parecida em busca de seu boy, embora por motivos diferentes. Essa espinha dorsal remete sutilmente ao clássico de Larry Clark. Mas alguns detalhes fazem com que Tangerine tenha sua personalidade própria. Por exemplo: as atrizes que vivem Sin-Dee e Alexandra são transgêneros na vida real – Kitana Kiki Rodriguez e Mya Taylor, respectivamente. As duas seguram o filme com muito carão, charme e carisma.

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Outro detalhe que vem sendo muito comentado: Sean Baker fez o filme inteiro usando um iPhone 5s como câmera. Surpresa: ficou bom! O recurso dá agilidade para os personagens e os movimentos de câmera tornam-se frenéticos e realistas. Além disso, o filme ganha um tom de documentário, embaralhando ainda mais os limites entre doc e ficção – uma tendência que já vem se fortalecendo há tempos no cinema “cutipurâniu”! O resultado é muito moderno, vibrante e atual. Será que vira moda fazer longas com iPhone? Depois da revolução do digital, tudo é possível.

Lançado no Festival de Sundance em janeiro, Tangerine já levou prêmios nos festivais de Traverse City, Palm Springs, Karlovy Vary e Deauville. Foi exibido numa única sessão no Brasil no Cinesesc, em São Paulo, dentro do Festival Indie. E vão rolar mais duas sessões, no Centro Cultural São Paulo, dentro da Mostra Internacional de Cinema Independente: na sexta 25/09 às 20h e na quarta 30/09 às 18h. Ainda não tem data de lançamento oficial no país. Vale ficar de olho em festivais e mostras!…

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