A América Latina está representada na Festival de Berlim por seis curtas que narram a realidade de países como Brasil, Cuba, Peru, Porto Rico, com histórias íntimas que aproximam o público europeu das tradições do continente e da dureza de seus conflitos.


Três destes curtas – o peruano Só te posso mostrar a cor e os cubanos O casarão e Um Paraíso – competirão junto de outros 20 pelo Urso de Ouro e de Prata no festival internacional, enquanto os outros três serão exibidos na seção Generation, dedicada à juventude e à infância.

Os diretores, a maioria novatos, consideram o Festival de Berlim uma “grande oportunidade” para avançar na indústria do cinema, e uma vitrine para que suas histórias cheguem a mais públicos.

“É uma oportunidade muito grande, porque é um dos festivais mais importantes do mundo e é a decolagem da minha carreira como cineasta”, declarou a Agência Efe o peruano Diego Sarmiento, que apresenta “Filhos da terra” em Generation.

Rodado na Amazônia peruana, seu filme mostra um dia na vida de Jorge, que junto dos irmãos ajuda na plantação de banana da família.

“É outra maneira de vida que quero que as pessoas conheçam, ele trabalha, mas na realidade está ajudando seus pais e é assim em todas as famílias que têm terrenos”, contou o diretor.

Antes de filmar, conta, realizou uma oficina de vídeo onde se aproximou da família protagonista: “A ideia das oficinas era dar a eles uma janela para que se veja algo mais do Peru do que Lima. Portanto, por um lado ensina, mas também mostra sua realidade”.

A técnica das oficinas para se aproximar da população nativa foi utilizada também pelo peruano Fernando Vilchez, que participa pela segunda vez do festival e compete em Berlim com “Só te posso mostrar a cor”, que narra o conflito ambiental da cidade de Bagua, entre policiais e indígenas.

“Há muitos ódios que ainda estão abertos; há um setor que rejeita os nativos por seus protestos na mineração e pelos conflitos com a polícia e há outro setor que os considera as vítimas deste milênio e o governo um assassino”, mostrou o diretor.

O Festival de Berlim, acredita, é uma oportunidade para lembrar do conflito “esquecido do ponto de vista judicial e para pôr no tabuleiro o que acho que é o grande problema do século XXI,os conflitos ambientais”.

Também concorre o documentário em curta-metragem cubano “O Casarão”, da diretora francesa Juliette Touin, que conta a história de Yudi, uma adolescente de 15 anos grávida que vive em uma das instituições cubanas onde as futuras mães ingressam semanas antes do parto.

“Quis gravar nesse lugar totalmente feminino sobre o machismo cultural” e mostrar que é um rasgo de Cuba no qual não só participa o homem, mas toda a sociedade, explicou Touin, que viveu por vários anos em Cuba, México e Colômbia.

O terceiro curto hispânico na competição é “Um paraíso” da diretora britânica de origem indiana Jayisha Patel, que aborda a problemática dos suicídios em Cuba através da vida de uma família da cidade de Granma, onde são bastante comuns.

Completam a representação latino-americana na Festival de Berlim, na seção Generation, Luna velha de Raisa Bonet (de Porto Rico) e o único brasileiro da lista: Eu não digo adeus, digo até logo de Giuliana Monteiro. 


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Curtas latino-americanos contam histórias íntimas no Festival de Berlim