Praticamente tudo já se falou sobre a franquia Star Wars, cujo Episódio VII acaba de aterrisar nos cinemas. Mas um “detalhe” parece escapar em meio a tantas análises: quem são, afinal de contas, os diretores por trás dos nove filmes da saga? (sim, porque os responsáveis pelos episódios VIII e IX já foram escolhidos)

Comecemos pelo início. O filme inaugural da grife, Episódio IV Uma Nova Esperança (no Brasil, Guerra nas Estrelas, 1977) foi dirigido pelo próprio criador da saga, George Lucas. Americano nascido em 1944, hoje com 71 anos, Lucas tinha 32 na época das filmagens. Era um “novato”, de certa forma.

Mas um novato de futuro. Tinha dirigido 11 premiados curtas-metragens entre 1965 e 1971, e dois longas: a obscura e bizarra ficção científica THX 1138 (1971), e o mini-blockbuster American Graffiti (1973, no Brasil batizado como Loucuras de Verão).

Richard Dreyfuss, Charles Martin Smith e Ron Howard em cena de "American Graffiti" (1973)

Richard Dreyfuss, Charles Martin Smith e Ron Howard em cena de “American Graffiti” (1973)

O surpreendente sucesso desse último filme, uma cândida crônica sobre a juventude americana em 1962, tornou Lucas um nome de peso. E foi só por isso que ele conseguiu realizar Guerra nas Estrelas.

Com o monumental sucesso de Star Wars, Lucas preferiu investir na carreira de produtor, e tornou-se um dos maiores do gênero em Hollywood, produzindo as duas trilogias de Star Wars, entre outros hits: a trilogia Indiana Jones, assim como o 4º filme do herói, em 2008; os filmes de fantasia Labirinto (1986) e Willow (1988), entre outros petardos.

Como produtor, ele amargou alguns fracassos, como Howard o Super-Herói (1986) e a continuação de American Graffiti, E a Festa Acabou (1979).

Jennifer Connely e David Bowie em "Labirinto, a Magia do Tempo" (1986)

Jennifer Connely e David Bowie em “Labirinto, a Magia do Tempo” (1986)

Como diretor, Lucas só voltaria a dirigir em 1999 – ele dirigiu os 3 filmes da 2ª trilogia de Star Wars. Ou seja, no total George Lucas dirigiu apenas 6 longas-metragens. Mas se Lucas não dirigiu os dois filmes que sucederam Uma Nova Esperança na 1ª trilogia, quem dirigiu?

É curioso observar, hoje, as escolhas de Lucas para essas importantes funções: ele optou por dois “senhores” de idades um tanto avançadas para pilotar sagas intergalácticas.

Para Episódio V O Império Contra-Ataca (1980) o eleito foi Irvin Kershner. Americano nascido em 1923 (e morto em 2010 aos 87 anos), Kirshner tinha 56 anos nas filmagens do longa.

O currículo do diretor tinha alguns destaques. Em 1961 concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes por Almas Redimidas. Dirigiu 26 filmes, com destaque para O Retorno do Homem Chamado Cavalo (1976), o suspense “disco” Os Olhos de Laura Mars (1978, a partir de roteiro de John Carpenter) e 007 Nunca Mais Outra Vez (1983, filme “bastardo” da franquia de James Bond, com Sean Connery revivendo 007 à revelia dos produtores da franquia oficial). O último filme de Kershner foi Robocop 2 (1990).

O esfuziante "Os Olhos de Laura Mars" (1978)

O esfuziante “Os Olhos de Laura Mars” (1978)

Para Episódio VI O Retorno de Jedi (1983) o escolhido foi Richard Marquand. Inglês nascido em 1937 (e morto em 1987 antes de completar 50 anos), dirigiu também 26 filmes, com destaque para os thrillers O Buraco da Agulha (1981) e O Fio da Suspeita (1985). Ele tinha 46 anos ao dirigir O Retorno de Jedi. Nem era muito, mas no geral Marquand exalava uma aura “sisuda”.

Glenn Close e Jeff Bridges em "O Fio da Suspeita" (1985)

Glenn Close e Jeff Bridges em “O Fio da Suspeita” (1985)

Sinal dos tempos: atualmente, o mundo vive a sede de juventude eterna. Cada vez mais figuras “jovens” ganham postos de poder e dão as cartas. Isso se reflete também em Hollywood, com diretores relativamente jovens pilotando franquias blockbusters.

A prova disso é que a nova trilogia Star Wars, produzida pela Disney, conta com diretores que exibem uma fama de “enfant terribles” ou de “bad boys”, no sentido de terem uma postura às vezes arrogante e “um certo ar cruel, de quem sabe o quer”.

Para o Episódio VII O Despertar da Força o eleito foi J.J. Abrams. Americano nascido em 1966, tem 49 anos e o prestígio de ser especialista em sagas que fascinam geeks e nerds ao redor do mundo: dirigiu Missão: Impossível 3 (2006), Star Trek (2009), Além da Escuridão – Star Trek (2013) e simplesmente criou e produziu a série Lost (2004).

Além de tudo isso, vale lembrar que Abrams dirigiu Super 8 (2011), um filme que é uma declaração de amor às sagas infanto-juvenis realizadas por George Lucas e seu amigo Steven Spielberg, principalmente nos anos 80.

Para o Episódio VIII, o nome é Rian Johnson. Americano, nasceu em 1973, tem 42 anos. Dirigiu filmes como Vigaristas (2008) e Looper: Assassinos do Futuro (2012), além de episódios da série Breaking Bad.

Para o Episódio IX, o escolhido é Colin Trevorrow. Americano nascido em 1976, é o mais jovem diretor de Star Wars até agora: tem 39 anos – com exceção do próprio George Lucas, que como já vimos tinha 32 ao pilotar o 1º filme.

Colin dirigiu poucas coisas, mas um dos títulos é o bastante: Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015).

"Super 8" (2011), homenagem de Abrams aos filmes de Lucas e Spielberg

“Super 8” (2011), homenagem de Abrams aos filmes de Lucas e Spielberg

Diante disso, podemos concluir que os diretores de Star Wars passaram basicamente de “senhores” (Irvin com 56, Marquand com 46, Lucas com 55, 58 e 61 ao dirigir a 2ª trilogia) para um time de “gênios joviais” (Abrams com 48 ao dirigir o Episódio VII, Rian com 42, Colin com 39).

Mas, independente da idade, mental ou física, uma outra questão se sobressai: Star Wars é um machista clube masculino? Quando teremos uma diretora mulher pilotando a franquia? Bom, por enquanto temos uma produtora executiva comandando a saga: a poderosa Kathleen Kennedy. Aguardemos…

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