No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (08), o Virgula Diversão se debruçou sobre um assunto que está em quase todos lares do mundo há mais de 50 anos: a imagem da mulher nos comerciais de TV.

Quem lembra deste comercial?

Nos últimos tempos, muita gente passou a protestar contra essa representação. Afinal, é visível a enxurrada de comerciais (principalmente de cervejas) mostrando mulheres como meros objetos sexuais, sorridentes, descerebradas e prontas para atuarem como escravas do desejo e do tesão dos homens.

Por outro lado, já houve consideráveis avanços.

Se no início da história da propaganda brasileira a mulher era vista fazendo papel de mãe abnegada, avó dedicada, dona de casa feliz ou mulher objeto feita para o sexo, hoje já aparecem personagens femininas independentes e ativas, que mandam os homens pra escanteio.

Confira essa trajetória por meio dos vídeos abaixo.

Regina Duarte Lux Luxo

Neste comercial pré-histórico, Regina Duarte é a moça que toma banho com sabonete Lux Luxo, “o sabonete das estrelas”. Aqui já aparece a ideia da mulher como bibelô, que deve estar sempre linda e cheirosa para seu homem, e nada mais.

Malu, Débora, Maitê e Sônia: Lux Luxo Again

Nos anos 80, a mensagem do Lux tinha se modernizado um pouco. Assim, Malu Mader, Débora Bloch, Maitê Proença e Sônia Braga surgem como mulheres modernas, independentes, ativas, vivendo a vida. Mas por trás dessa imagem de renovação, ainda se percebe uma ideia da mulher como fêmea desejável, que mesmo vivendo uma vida mais moderna continua tendo como foco central estar pronta para dar prazer aos homens.

Tiffany’s

Nos anos 70, esta divertida propaganda mostrava a personagem central como uma dona de casa meio caricata, que acaba de redecorar a cozinha, mas tudo naturalmente pago pelo marido, o “Alfredinho”. Ou seja, a mulher é representada como uma dondoca frívola, ocupada com assuntos de casa e cozinha, e claro, bancada pelo seu homem.

Costureira

Em plenos anos 70, época de liberação sexual, esta propaganda da Singer ainda retratava a mulher como uma simples mãe, totalmente dedicada aos filhos – para quem passa os dias costurando ou tirando leite da vaca. Tudo bem, o comercial é ambientado no mundo rural, onde as coisas estavam mais atrasadas. Mas mesmo assim…

Ai, Ted!

Já nos 80/90, surgia outro tipo de personagem feminina: a mulher objeto loira e burra, a la Marilyn Monroe. Assim era Joana D’Água, a partner do detetive Ted Tigre nos comerciais dos tubos e conexões Tigre. A loira era apenas uma escada para Ted, e estava sempre pronta para gritar e suspirar, e sem entender o raciocínio do detetive – ele sempre decifrava os casos, e ela não entendia nada: era praticamente uma empregada dele. E notem como, no final, nem para acender o cigarro dele ela serve: ele mesmo acende, mostrando que não precisa dela para nada. Ou quase nada…

Queimem Sutiãs!

E claro que não podemos ignorar a propaganda do primeiro sutiã, de 1986. Aqui, também se reforçam padrões: a adolescente está virando mulher e portanto deve se encaixar no esquema e cobrir seus seios. E no final da propaganda, a personagem é paquerada na rua, como toda mulher que se preza. Ou seja, entrou na dança. As feministas que queimavam sutiãs nos anos 70 devem ter detestado esse comercial.

Garotos

Este comercial do chocolate Garoto também é bem machista. Ao longo do filme, vemos vários garotos na puberdade desejando mulheres maduras. Ou seja, as mulheres são vistas como presas sexuais desses futuros garanhões. Eles comandam a ação, mostrando que os homens comandam o mundo e “conquistam” as fêmeas.

Incomodada ficava sua avó!

Nos anos 90, as coisas melhoraram. Suzy Rêgo estrelou este clássico do “Incomodada ficava sua avó!”, divulgando o Tampax. Aqui, a mulher passa a usufruir do direito de estar confortável em plena menstruação, e de falar disso sem constrangimentos.

Lark

Malu Mader estrela este comercial dos cigarros Lark, exibido em 1994, e a personagem parece uma mulher livre, liberada e independente, viajando com amigos e fumando seu cigarro, sem depender de nenhum homem. Ela não aparece abraçada com nenhum macho, e está feliz o tempo todo – Mensagem: não é preciso ser mãe e esposa para ser uma mulher realizada!

Brastemp

Por outro lado, nos anos 90 ainda havia comercial como este da Brastemp, que mostra uma noiva frustrada – ela se sacrificou, noivou sete anos, casou de branco, virgem, e não recebeu nenhum produto Brastemp de presente. Ou seja, a mulher é reduzida a uma bobalhona de sonhos bem modestos e pequenos. A velha ideia da dona de casa que pilota fogão e máquina de lavar.

Cleo Pires

Na fase atual, a mulher ficou mais esperta, mas continua sendo “enganada” pelos lobos – os homens sedutores e malandros. Como neste filme, onde um rapaz espertinho consegue descolar o telefone de sua presa sexual – interpretada por Cleo Pires.

Juliana Paes

Pior ainda é a mulher que surge nas propagandas de cerveja. O símbolo máximo é Juliana Paes, que interpreta o estereótipo da gostosa, sempre desejada pelos homens famintos, e que se comporta como uma boneca inflável – burra, achando graça em tudo, sem refletir sobre sua própria postura.

Kaiser

A Kaiser tentou reverter o jogo e criticar a mesmice dos comerciais de cerveja, e criou essa propaganda que mostra as mulheres como sedutoras famintas e os homens como vítimas indefesas.

Claro!

Nesta recente propaganda da Claro, a mulher evoluiu e aparece independente e dona de seus atos, resolvendo até, em plena hora do parto, adiar o evento, para espanto da equipe médica.

iFood

E finalmente o comercial do aplicativo de disk comida. A mulher é esperta, independente, se tem fome ela se vira sozinha e pede comida via iFood. Já o homem é mostrado como o marido panaca, sem noção, que depende das mulheres para poder jantar – se a esposa não cozinhou, ele ameaça ir comer na “casa da mamãe”. E a esposa não está nem ali para o draminha do marido. As mulheres viraram o jogo?

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