Há 90 anos, em outubro de 1924, nascia Edward Davis Wood Jr., que entraria para a história como Ed Wood, considerado “o pior cineasta de todos os tempos”.

O diretor americano teve sua trajetória recriada em 1994, no filme de Tim Burton estrelado por Johnny Depp. E o mundo redescobriu o hilariante universo de Ed Wood, que cometeu alguns dos filmes mais absurdos da história.

Como Glen ou Glenda? (1953), no qual o próprio Wood vivia um homem com dupla identidade sexual, dividindo-se entre homem e mulher (ou cross-dresser). Reza a lenda que na vida real Wood também era cross-dresser. Ou ainda Plano 9 do Espaço Sideral (1959) e A Noiva do Monstro (1955), entre outras pérolas.

Wood fez história, e acabou dando início a um estilo que se consagraria nos anos 70, 80 e 90: o cinema trash e kitsch, que era “ruim” não apenas por falta de recursos, mas por opção de estilo e linguagem – e os realizadores trash passaram a sofisticar a “bagaceirice”, elevando-a ao status de cult.

Ao contrário de Wood, que fazia filmes terríveis mas acreditava que era um cineasta genial e incompreendido, os cineastas trash cult que vieram depois passaram a fazer um cinema que debochava de si próprio.

Os maiores expoentes dessa vertente são John Waters (nos EUA) e Ivan Cardoso (no Brasil). O primeiro consagrou-se com suas ácidas críticas à classe média americana, simbolizadas pela presença assustadora da travesti Divine, estrela da maioria dos filmes do diretor.

O segundo desenvolveu no Brasil o chamado “terrir” – terror misturado com comédia, disparando clichês dos clássicos do horror B, muitas vezes citando o próprio Ed Wood, além de citar outro cineasta muito específico: José Mojica Marins.

Mojica, o criador e intérprete do famoso personagem Zé do Caixão, é um caso à parte. Quase um Ed Wood brasileiro (na medida em que realizava produções baratésimas de horror com truques caseiros), Mojica alcançou a fama nacional e até grandes bilheterias populares, antes de mergulhar no ostracismo e aceitar dirigir filmes de sexo explícito nos anos 80.

Nos 90, viria a redenção: Coffin Joe (nome de Zé do Caixão entre os americanos) virou ícone pop nos EUA, com os fãs disputando os filmes de Mojica e idolatrando o sinistro personagem.

Turbinado pelo prestígio pop internacional, Mojica voltou à ação, dirigindo em 2008 Encarnação do Demônio, onde reencarnou Zé do Caixão. Um personagem eterno que simboliza o cinema trash-cult brasileiro e até mundial.

Confira na galeria acima os clássicos desses realizadores.

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