Nesta segunda-feira (04/05) comemora-se o “Feriado Star Wars”. Isso mesmo, você nunca ouviu falar? A data foi estabelecida devido ao trocadilho envolvendo “May the Fourth” (4 de Maio, em inglês) e “May the Force Be With You” (Que a Força Esteja Com Você, frase clássica dos personagens da saga espacial).

Então, para celebrar a data, o Virgula decidiu contar a história dessa que é a mais famosa saga do cinema em todos os tempos. E tudo começou há 38 anos. Sim, no dia 25 de maio de 1977 estreava nos cinemas norte-americanos Star Wars Episode IV: A New Hope – no Brasil, chegaria em 18 de novembro do mesmo ano, com o título Guerra nas Estrelas (na época, ainda não se usava, no Brasil, o subtítulo Uma Nova Esperança – essa prática só chegaria 20 anos depois, em 1997, quando a trilogia original foi reexibida nos cinemas).

Guerra nas Estrelas mudou para sempre a história e a cultura do cinema e do universo pop. Se em 1975 Steven Spielberg já havia dado um grande passo com seu blockbuster Tubarão, seu amigo e parceiro de delírios cinematográficos George Lucas iria ainda mais longe em 77. Basicamente a grande novidade é que Tubarão e Star Wars – e depois outras sagas e filmes como Indiana Jones, E.T., De Volta para o Futuro, Matrix, Harry Potter, X-Men – trouxeram o conceito de “combo”. Ou seja, não era somente ir ao cinema ver um filme. Via-se o filme e também se consumiam álbuns de figurinhas, bonecos, brinquedos, adesivos, comidinhas, roupas, souvenirs, etc. – tudo derivado do filme.

Claro que na história do cinema já havia existido produtos semelhantes, que também flertavam com o comércio de souvenirs, principalmente filmes de ficção científica ou com super-heróis. Mas nunca com a força – ops! – e a impressionante revolução que Star Wars deflagrou.

Surpreendendo os estúdios Fox e até o próprio George Lucas, criador da série. Reza a lenda que Lucas – protótipo do nerd / geek por excelência – estava em fase meio perdida em Hollywood. Depois de ter estreado na direção de longas com a esquisita e mal compreendida ficção THX 1138 (1971), ele encontrara um enorme sucesso com Loucuras de Verão (American Graffiti, 1973) – um filme completamente diferente do estilo que viria a consagrar Lucas posteriormente.

Loucuras de Verão era um filme pequeno de baixo orçamento, cerca de 700 mil dólares, que quase foi lançado direto na televisão pela Universal. Mas ao chegar nos cinemas faturou 115 milhões de dólares, tornando-se um mega sucesso, chegando a ser indicado a 5 Oscars, incluindo melhor filme e diretor. A singela, divertida e nostálgica visão sobre um grupo de adolescentes no interior da Califórnia em 1962 é a grande obra-prima de Lucas, de longe seu melhor filme.

Mas o que ele realmente queria fazer era sua saga espacial. O projeto original de Star Wars havia sido oferecido por ele a diversos estúdios no início dos anos 70, sempre recusado. Com o sucesso de Loucuras de Verão, a Fox acabou acolhendo Lucas com seu bizarro projeto: uma saga em nove – ! – filmes, destrinchando a odisseia de Luke Skywalker e sua família.

Mas a ideia era ousada e arriscada demais. Portanto, o estúdio exigiu que Lucas “desse um jeito” de tornar aquilo tudo um pouco mais viável. O diretor optou então por iniciar a saga no episódio IV – eis a explicação para a confusão que atingiu muita gente desde então, gerando a dúvida “Mas episódio IV? Esse não é o primeiro da série?!…”

E assim foi. O tal episódio IV, que inaugurou a saga, estreou em maio de 77 nos EUA e logo virou uma febre mundial. Com orçamento de 11 milhões de dólares, chegou a acumular mais de 200 milhões só nos EUA até o final dos anos 70. Estava dada a largada para o nascimento de um culto sem precedentes na cultura pop.

Seguiram-se as duas continuações (O Império Contra-Ataca, de 1980, dirigido por Irvin Keshner e considerado o melhor filme da primeira trilogia; e O Retorno de Jedi, de 1983, dirigido por Richard Marquand e acusado de infantilizar de vez o cinema americano) e o nascimento de uma quase religião em torno da trilogia. Lucas tornou-se o maior produtor de Hollywood, fortalecendo sua Industrial Light & Magic, que durante anos reinou como a principal empresa de efeitos especiais da meca do cinema – até ser vendida para a Disney em 2012, quando esta empresa comprou a Lucasfilm, levando junto a IL&M. Lucas só voltaria a dirigir um filme em 1999 – Episódio I: A Ameaça Fantasma, que retomou a saga.

Em 1997, a trilogia original foi relançada nos cinemas, para celebrar os 20 anos do lançamento de Uma Nova Esperança, e ao mesmo tempo preparando o terreno para a continuação da saga. Em 1999, A Ameaça Fantasma estreou, seguida de Ataque dos Clones em 2002 e A Vingança dos Sith em 2005. A nova trilogia, que contava a história acontecida antes da trilogia original, foi toda dirigida por Lucas, e injetou novo gás no fanatismo dos fãs. Games, desenhos animados, quadrinhos, mais figurinhas e bugigangas pop, enfim, o culto tornou-se mais forte do que nunca.

Mais 10 anos se passaram, e vem aí uma nova trilogia. Desta vez serão os três filmes restantes para completar aquela saga de nove filmes que Lucas queria fazer desde 1970. Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força inaugura essa nova trilogia e estreia em 18 de dezembro de 2015.

O impacto de Star Wars é tamanho que o dia 25 de maio (estreia de Guerra nas Estrelas nos EUA) foi escolhido para comemorar o Dia Mundial do Orgulho Nerd, ou Orgulho Geek. Essa é a verdadeira vingança dos Sith, ou melhor, dos nerds. Pelo visto, a mitologia em torno da saga Star Wars ainda perdurará durante muitos anos, séculos, milênios, galáxias, sobrevivendo a qualquer guerra nuclear.

Sem mais artigos