Disparos, filme com Caco Ciocler e Gustavo Machado

Disparos, filme com Caco Ciocler e Gustavo Machado

Em Disparos, filme que estreia nesta sexta-feira (23), Gustavo Machado vive Henrique, um fotógrafo arrogante e egocêntrico que não se envergonha de colocar o dedo em riste e lançar a pergunta: “Você sabe quem eu sou?”. Ele é o protagonista do filme. E, ainda que haja antipatia pelo personagem, o espectador espelha-se em seus conflitos, nascidos a partir de um encontro com a violência urbana.

“O filme toca em várias questões muito delicadas do ser humano, como ‘O que fazer em uma situação de risco?’ ou ‘A gente deve ser levado pelos instintos ou tem a obrigação moral de controlá-los?'”, refletiu Gustavo, que atuou no longa ao lado do amigo Caco Ciocler.

“Eu gostei de fazer o personagem. É um homem autoritário que se torna vítima da violência e do sarcasmo alheio. O desafio foi permanecer no sujeito arrogante, mas criar uma empatia para que o público o acompanhasse”, disse ao Virgula Diversão, durante a apresentação do filme em São Paulo, neste mês.

Disparos é a estreia na direção de longas de Juliana Reis, que também assina o roteiro. No filme, ambientado no asfalto selvagem do Rio de Janeiro, Henrique assiste ao homem que o assaltou ser atropelado pelo carro de um “bem-feitor” e, ao optar por não ajudar o criminoso, é acusado do crime de omissão de socorro. A partir daí, Henrique é obrigado a prestar depoimento ao sarcástico inspetor de polícia Freire (Caco Ciocler), em uma delegacia, às altas horas da madrugada.

A narrativa, que apresenta diferentes pontos de vista, não elege vilões ou mocinhos, mas mostra a impessoalidade das relações humanas das grandes cidades. O filme exibe personagens inseguros, carentes e amedrontados, mas também sabe rir, de forma irônica, das situações absurdas do cotidiano urbano.

A diretora Juliana Reis conta que o roteiro de Disparos nasceu a partir de relatos reais de conhecidos. “A cena do roubo aconteceu com um amigo meu, fotógrafo. Ele me relatou isso no dia seguinte ao acontecido, e o desejo de escrever sobre isso se impôs na minha vida. Eu comentei muito sobre o fato em rodas de amigos e, sistematicamente, as pessoas me devolviam histórias semelhantes. As histórias relatadas no filme nasceram desses fatos reais que ouvi. É como se a pesquisa tivesse vindo até mim”, explicou.

Um ponto positivo de Disparos é a interpretação de seus atores, especialmente o jogo de cena entre Caco Ciocler (vencedor do prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival do Rio 2012 pelo papel) e Gustavo Machado. Em diálogos que oscilam entre a empatia entre os dois personagens e o sarcasmo quase bélico, os atores abusam da improvisação.

“Eu e o Gustavo somos amigos, mas nunca havíamos trabalhado juntos. Como eu e ele viemos do teatro, queríamos mais era jogar”, disse Caco Ciocler. O ator, no entanto, credita Juliana Reis por permitir e incentivar o jogo cênico em seu filme. “Se fosse um tipo de diretor que decupasse o filme, do tipo, ‘Essa fala tem que ser assim, com essa câmera aqui’, ela teria nos privado disso. Ela deu muito espaço para a improvisação”, explicou.

Veja o trailer de Disparos:
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Filme Disparos, com Caco Ciocler, aborda a violência urbana sem eleger vilões

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