Bruce Bridgeman, de 67 anos, passou a vida toda enxergando o mundo em apenas duas dimensões, sem conhecer a noção de profundidade. Mas isso mudou em fevereiro deste ano, e o responsável pela cura foi Hugo, de Martin Scorsese.

Bridgeman contou que comprou o ingresso para uma sessão em 3D para acompanhar a mulher, mas esperava ver o filme da mesma forma como sempre assistiu a todos os outros. Para sua surpresa, porém, logo nas primeiras cenas os personagens pareceram saltar da tela, dando a ele uma experiência totalmente desconhecida.

E, o mais impressionante, o efeito continuou mesmo após o final do filme, caracterizando uma cura aparentemente definitiva para seu problema. De acordo com ele, já ao sair do cinema ele começou a perceber as diferenças na rua, vendo carros e pessoas de forma totalmente diferente.

“Quando saíamos e as pessoas olhavam e começavam a comentar sobre um pássaro na árvore, eu ainda estava procurando pelo pássaro quando eles acabavam. Para todos os outros, o pássaro se destacava. Mas, para mim, era apenas parte do cenário de fundo”, explicou o homem à BBC.

Conhecida em inglês como stereoblindness (algo como “cegueira em estéreo”), a condição de Bridgeman impedia que o cérebro combinasse as imagens ligeiramente diferentes enxergadas por cada um dos olhos, como acontece automaticamente com as demais pessoas.

De acordo com especialistas, provavelmente o cérebro dele já possuía a capacidade de entender o mundo em 3D, mas por algum motivo não realizava essa tarefa. O filme, então, teria acionado uma espécie de gatilho.


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