O longa ucraniano A Gangue (The Tribe, 2014, de Myroslav Slaboshpytskiy) é um dos destaques da 38ª Mostra Internacional de Cinema de SP, depois ter levado o Grande Prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes, em maio.

O insólito filme tem ecos de Laranja Mecânica (1971) e If… (1972), e se passa em um internato para jovens surdo-mudos. O protagonista chega à tal escola e se envolve com uma bizarra gangue de adolescentes, que promove assaltos e “aluga” garotas para caminhoneiros durante a madrugada. Isso mesmo: prostituição.

A tal gangue tem regras rígidas, e os líderes adoram partir para a violência. Tapas, murros e punições são comuns. Mas quando Sergey, o protagonista, se envolve com uma das garotas que são “alugadas”, as coisas pioram. E a violência pode chegar a níveis insuportáveis.

Até aí, podemos pensar que é um filme de gangue juvenil comum. Mas A Gangue incomoda além da conta, porque o filme é inteiramente mudo, ou melhor, sem diálogos. Todos os jovens personagens se comunicam na linguagem de sinais. O silêncio acaba sendo um tanto desconfortável.

E as frias e cruas cenas de sexo? Sem tesão, sem paixão e sem – temos de dizer! – “aquilo” duro. Perguntamos: como alguém penetra outra pessoa sem estar minimamente excitado? Claro que toda essa atmosfera glacial e impessoal é proposital, expondo o terrível universo do internato e de seus habitantes. Mas mesmo assim, falta impacto e ritmo para a narrativa.

Por essas e outras, A Gangue vem dividindo opiniões e frustrando o público da Mostra. O filme é badalado, falado e comentado, mas na hora H o resultado deixa a desejar.

Vai encarar? A Gangue ainda passa nesta segunda (27) às 21h30 no Cinesala Sabesp, e na terça (28) às 21h30 no Cinesesc.

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