Promised Land

Matt Damon e John Krasinski em Promised Land

Após a première de tapete vermelho com The Grandmaster, o drama de artes marciais do diretor Wong Kar Wai, a 63º edição do Festival de Cinema de Berlim deu início ao seu primeiro dia de competição destacando a presença do ator americano Matt Damon, protagonista do filme Promised Land, de Gus Van Sant, que narra a usura voraz da indústria energética.

Com sua eterna cara de menino bom, mesmo sendo reconhecido por suas atuações como matador profissional (O Ultimato Bourne), Damon foi bastante assediado pelos fotógrafos e também falou sobre seu personagem no novo filme de Gus Van Sant, que dividiu espaço com o excelente W Imie (In the name of), que aborda a homossexualidade e o sacerdócio na católica Polônia.

“É um personagem em dilema, que trata de não escutar a sua consciência, embora saiba do alto custo que implica ignorá-la”, explicou o ator, que também aparece como co-roteirista e produtor do longa-metragem .

Promised Land começa com a chegada de Steve (Damon) e Frances McDormand (Sue Thomason) a uma pequena cidade de fazendeiros nos EUA, a qual o consórcio Global pretende explorar à procura de gás natural, um fato que levanta suspeita por conta do inevitável envenenamento do subsolo dos campos onde os animais pastam.

Trata-se de perfurações de quilômetros de profundidade – o controverso método Fracking -, que insufla produtos químicos e que a Global busca levar adiante firmando um contrato subvalorizado com os agricultores locais, que sofrem com o efeito da crise.

“Não é filme de heróis e vilões. Em nosso mundo, também o dos consórcios sem escrúpulos, uma pessoa pode passar de um lado para o outro sem deixar de ser o mesmo”, apontou o diretor americano, que aparece no Festival de Berlim como um dos favoritos entre os 19 aspirantes ao Urso de Ouro.

Damon e Mcdormand serão expoentes do princípio de que “nada é só branco ou negro” – em palavras do ator -, ainda mais em um mundo sem escrúpulos. Desta forma, o casal chegará ao povoado pensando que terão uma fácil missão, mas acabarão topando com um engenheiro de elite já aposentado e líder da resistência, o qual não estará disposto a perder sua dignidade para se vender a um baixo custo.

A partir daí, o casal passa a fazer o mal em busca de seus objetivos, como tentar comprar o prefeito do povoado. No entanto, um ambientalista – Dustin Noble (John Krasinski), que também assina o roteiro -, aparece para complicar ainda mais as coisas, dizendo que a exploração contamina a água, o solo e afeta os animais. Assim, a pequena cidade passará a reagir com cartazes “Global Go home”.

No campo midiático, Promised Land deu um bom arranque neste primeiro dia de competição, embora, no cinematográfico, o destaque acabou ficando mesmo com o filme dirigido por Malgoska Szumowska, um grande expoente do novo cinema polonês.

Mesmo com um baixo orçamento, W Imie… se destaca ao contar com atores excelentes e por buscar outro tipo de dilema: o de um padre de uma paróquia rural a cargo de um grupo de rapazes durões.

A homossexualidade, tabu em todo o âmbito católico e ainda mais na Polônia, é o principal dilema interior e exterior do sacerdote, que ganha o apreço dos jovens com sua imagem moderna e o assédio das mulheres.

Neste longa, Szumowska aborda o tabu às claras, dando vida a um filme rico em detalhes reveladores e que também foge dos estereótipos.

Já o terceiro filme dentro da mostra competitiva foi Paradies: Hoffnung (Paradise: Hope), a última peça da trilogia do diretor austríaco Ulrich Seidl após seus anteriores “paraísos”, dedicados ao amor e à fé.

Matt Damon apresenta Promised Land, de Gus Van Sant, no Festival de Berlim

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