Primeiro foi o romance de Victor Hugo, depois o musical para o teatro que já foi visto em todo o mundo por mais de 60 milhões de pessoas e, agora, a versão cinematográfica da obra, protagonizada por Hugh Jackman, Russell Crowe e Anne Hathaway.

Dirigidos pelo britânico Tom Hooper, de O Discurso do Rei, estes atores forneceram seu talento e suas vozes para levar para a telona a versão musical de Os Miseráveis, um projeto que estreou nos Estados Unidos na terça-feira (25) sob enorme expectativa.

Quando o escritor francês Victor Hugo escreveu este livro, provavelmente não poderia imaginar que 150 anos depois sua história seria uma das mais populares e conhecidas do mundo.

Em 1862, o autor publicou o romance que se tornaria rapidamente em um clássico, com personagens que encarnavam o bem, o mal, a redenção e a luta pela liberdade, em um momento convulso e em transformação da história da França.

Os nomes de Fantine, Jean Valjean, Javert, Cosette e Marius passaram a fazer parte da galeria de personagens mais conhecidos da história da literatura universal, principalmente na França, lugar de origem do escritor e onde se desenrola a história.

Livro obrigatório nas escolas francesas, em 1980 estreou o musical de Os Miseráveis, com música de Claude-Michel Schonberg e letras de Alain Boublil e Jean-Marc Natel. O espetáculo teatral, no entanto, ficou apenas três meses em cartaz em Paris.

Mas o produtor Cameron MacKintosh acreditava no projeto e encomendou uma versão inglesa do musical, que demorou dois anos para ficar pronta. Após apenas duas semanas de ensaio, ela foi apresentada pela primeira vez em 8 de outubro de 1985, em Londres, no teatro Barbican.

Desde então, a obra se tornou um fenômeno e é representada em Londres de forma ininterrupta. Além disso, já foram feitas versões da obra para 42 países, em 21 idiomas, que atraíram mais de 60 milhões de espectadores.

E quando parecia que esta história épica e romântica não podia ir além, surgiu a mais recente versão cinematográfica para provar o contrário.

O livro de Victor Hugo, no entanto, já foi adaptado para o cinema em ocasiões anteriores. As primeiras adaptações remontam ao cinema mudo: em 1897, foi feita uma versão dos irmãos Lumière. Em 1907, uma parte da história se tornou filme pelas mãos de Alice Guy Blanché. Em 1913, o francês Albert Capellani dividiu a obra em quatro capítulos, dedicados a Jean Valjean, Fantine, Cosette e Marius.

Desde então, foram feitos muitos outros filmes da obra, com pouco ou muito sucesso. Um dos maiores destaques foi a versão de Jean-Paul Le Chanois, de 1958, com Jean Gabin como Jean Valjean.

Este papel também foi interpretado por Gérard Depardieu, embora em seu caso para uma bem-sucedida minissérie televisiva na qual John Malkovich encarnou o malvado Javert, Charlotte Gainsbourg a sacrificada Fantine e Virginie Ledoyen a doce Cosette.

Muitas versões para um mesmo texto, mas sem a música que impactou o público com canções como On My Own, I Dreamed a Dream, At the End of the Day e Do You Hear the People Sing?. Músicas que desde a estreia do musical foram cantadas por vozes privilegiadas como Aretha Franklin, Neil Diamon, Elaine Paige e Petula Clark.

No caso de I Dreamed a Dream serviu para tornar conhecida Susan Boyle no concurso britânico Britain’s Got Talent, no qual ela assombrou os ouvintes e cujo vídeo foi visto mais de 85 milhões de vezes.

Uma canção interpretada agora, também magistralmente, por Anne Hathaway, que dá vida a Fantine na adaptação cinematográfica do musical, que estreia em vários países do mundo neste final do ano.

A atriz perdeu mais de 12 quilos para interpretar a decadência de Fantine depois que ela é despedida de uma fábrica e precisa se prostituir para sobreviver e alimentar sua filha Cosette (Amanda Seyfried).

Hugh Jakcman, com experiência musical anterior, é o protagonista do filme, como Valjean. Já Javert é interpretado por Russell Crowe, talvez a voz menos destacada do filme, mas com uma grande presença e talento.

Com canções interpretadas ao vivo para dar mais intensidade ao filme, cenário que lembra a versão teatral e vestuário do espanhol Paco Delgado, Hooper construiu um sonho para os amantes de Os Miseráveis, capaz de conquistar público e prêmios.

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