Dono de uma saúde frágil na infância e vítima de uma enorme insegurança (agravada pelas provocações do irmão mais velho), Albert Frederick Arthur George se tornou gago. E o que já seria um problema para qualquer um se tornou um drama ainda maior para alguém que precisou assumir um cargo de extrema importância: o de rei da Inglaterra.

Albert, que se tornou George VI depois de coroado, não havia sido preparado para a função. Satisfeito como duque de York, ele se viu sem saída depois que o irmão Edward abdicou, em 1936, para se casar com uma americana duas vezes divorciada, Wallis Simpson. E, o pior: tudo isso aconteceu quando a ameaça da II Guerra Mundial já começava a pairar sobre a Europa.

Mas a história de O Discurso do Rei começa um pouco antes disso. Ainda quando era um duque, e quase convencido de que era um caso perdido, depois de vários tratamentos ineficientes, George é convencido pela esposa – que mais tarde seria conhecida como “a Rainha Mãe” – a tentar um último especialista.

É então que surge Lionel Logue, o homem que promete curar a gagueira do futuro rei e fazer com que ele consiga proferir seus tão temidos discursos. Dono de métodos não muito ortodoxos, ele consegue aos poucos “dobrar” o herdeiro real e obtém resultados surpreendentes, ao mesmo tempo em que conquista a amizade de seu aluno.

Apesar de incríveis 12 indicações, O Discurso do Rei começou sua corrida ao Oscar de forma relativamente modesta. Logo após o anúncio, a única certeza é de que dificilmente alguém tiraria a estatueta de Colin Firth, que praticamente incorporou o verdadeiro George VI (assista aos vídeos abaixo e compare).

No entanto, ao longo da temporada de premiações, o filme foi arrebatando os mais importantes prêmios, a ponto de deixar para trás o até então favorito absoluto, A Rede Social. Somando tudo até agora, já foram mais de 70 indicações e 16 vitórias, a maior parte delas para Firth.

Cuom tudo isso, O Discurso do Rei percorreu uma trajetória que lembra a de seu protagonista: de tímido e subestimado a vencedor. Tanto que hoje o antigo azarão já é o líder nas apostas para a categoria Melhor Filme.

Curiosidades

Embora interprete Edward, o irmão mais velho de George VI, o ator Guy Pearce é, na vida real, sete anos mais novo que Colin Firth.

Sabendo que um elenco de primeira linha faria toda a diferença, a produção e o diretor Tom Hooper tiveram um cuidado especial em relação aos atores. Tanto que as filmagens foram adiadas só por causa de Helena Bonham Carter, que estava terminando as gravações de Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Além disso, Hooper queria tanto Geoffrey Rush como Lionel que seus produtores usaram um método curioso para abordar o ator: conseguiram que um vizinho dele colocasse o roteiro em sua caixa de correios, acompanhado de um bilhete, onde pediam desculpas e explicavam que queriam “desesperadamente” que ele aceitasse. Deu certo.

Já com Paul Bettany não funcionou. Inicialmente, o papel de George VI foi oferecido a ele, mas o ator recusou para poder dedicar mais tempo à família. Mais tarde ele admitiu que havia se arrependido, mas era tarde. Colin Firth já havia sido escolhido e acabou se tornando o favorito ao Oscar de Melhor Ator.

A ideia de levar para as telas a gagueira do rei é muito antiga. O roteirista David Seidler, que na infância chegou a ouvir o verdadeiro George VI discursando, escreveu para a Rainha Mãe pedindo autorização para fazer um filme sobre ele. A soberana respondeu, pedindo a ele apenas que não o fizesse enquanto ela estivesse viva, porque suas lembranças eram muito dolorosas. Seidler respeitou o pedido e esperou a morte da rainha, em 2002, para prosseguir com o projeto.

Há alguns dias foi divulgado que a rainha Elizabeth II, filha de George VI, assistiu e gostou de O Discurso do Rei. Ela teria ficado especialmente emocionada com a interpretação de Colin Firth, segundo fontes do palácio.

Assista abaixo ao trailer do filme e ouça o discurso do verdadeiro George VI, feito em setembro de 1939, quando o Reino Unido entrou em guerra com a Alemanha :

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