“Você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos”. A frase do cartaz de A Rede Social, indicado em oito categorias no Oscar 2011, resume bem o filme e retrata bem a geração que aborda: a 2.0, cujos jovens semprem estão conectados ao mundo virtual, vivendo mais na frente do computador do que com a própria família e amigos do mundo real.

Esse paralelo é feito por meio da história da criação do Facebook, na qual brigaram os amigos Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin numa rede de intrigas que incluiu até Sean Parker – sim, ele mesmo, a “cabeça” que inventou o finado Napster, programa de compartilhamento de arquivos em rede P2P.

A trama se passa na Universidade Harvard em 2003, onde Zuckerberg, interpretado por Jesse Eisenberg, estudava. Começa logo de cara com um “pé na bunda” da namorada, que o faz tornar-se um sociopata e o incentiva a um vingança boba – fato que o verdadeiro Zuckerberg nega com veemencia. Ele cria, então, ao lado do programador brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), o Facemash, um aplicativo que ranqueava as mais belas universitárias.

Esse foi o passo para a ideia que o nerd, na época com apenas 20 anos, teve para uma rede social de sucesso. Ao perceber seu talento, os gêmeos Cameron Winklevoss e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) e Divya Narendra (Max Minghella) propõe um negócio que seria o Facebook… mas Zuckerberg rouba sua ideia e a aprimora. Em apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, ele virou o mais jovem bilionário da história.

O filme levou vários prêmios e também o Globo de ouro e era o mais cotado para o Oscar 2011. Porém, sua pedra no sapato chamada O Discurso do Rei, dirigido por Tom Hooper, ganhou os mais importantes recentemente: o DGA Awards e o SAG Awards, os prêmios do sindicato dos diretores e dos atores de Hollywood. Agora, o grande prêmio da Academia será uma grande supresa no dia 27 de fevereiro.

Curiosidades

O filme é baseado no livro The Accidental Billionaires, escrito por Ben Mezrich. Apesar de muito verossímel, só foi ouvido o lado de Eduardo Saverin, que serviu de consultor pra a obra. Zuckerberg chegou a dizer que o filme simplificou o motivo que o incentivou a “roubar a ideia” e criar o Facebook: uma dor-de-cotovelo.

Já Sean Parker, criador do Napster e interpretado pelo cantor Justin Timberlake, chamou o filme de “uma completa obra de ficção”. Durante o final do filme, seu personagem está em uma festa regada a drogas e várias modelos bonitas. “Eu queria que minha vida fosse tão legal (quanto a que é mostrada no filme)”, disse Parker.

Por falar em Parker, Timberlake foi o único ator que encontrou o seu personagem na vida real – mais tarde o mesmo disse que só o ajudaria em algumas coisas.

Ele também perdeu entre 5 e 7kg porque achou que poderia parecer mais novo no filme. Já Armie Hammer, que vive os gêmeos, conheceu seus personagens na vida real apenas depois das filmagens.

Como Jesse Eisenberg não conheceu Zuckerberg, ele resolveu criar uma conta no Facebook duas semanas antes do começo das filmagens e cancelou assim que acabou a produção. Coincidentemente (ou não), seus primos trabalham na empresa de Zuckerberg, aparentemente próximo a ele.

Só a cena de abertura, com Jesse e Rooney Mara, teve oito páginas de roteiro e 99 takes. Roteiro este que foi escrito por Aaron Sorkin (premiado no Globo de Ouro), que faz uma aparição no filme como o executivo que Mark e Eduardo encontram em Nova York.

Outra coisa curiosíssima, foi que Natalie Portman, que estudou psicologia em Harvard entre 1999 e 2003, ajudou Sorkin no roteiro, fornecendo informações privilegiadas sobre os acontecimentos em Harvard na época em que Facebook apareceu pela primeira vez lá.

Assista a alguns vídeos do filme:

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