Família é um tema recorrente no cinema. Quanto mais diferente a abordagem, maior destaque ganha o filme. Basta lembrar de Beleza Americana, vencedor do Oscar 1999, os disfuncionais Hoover de Pequena Miss Sunshine e até o recente O Vencedor, também indicado ao Oscar 2011 de Melhor Filme. Mas a estrela do gênero nesta edição do prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood é, sem dúvidas Minhas Mães e Meu Pai (The Kids are All Right), indicado a quatro Oscars (Filme, Roteiro Original, Atriz e Ator Coadjuvante).

Dirigido por Lisa Cholodenko, que fez Laurel Canyon – A Rua das Tentações e já tinha experiência em abordar questões familiares, como no belo episódio Família da premiada série A Sete Palmos, o filme conta a história do clã pouco convencional formado por um casal de lésbicas e dois filhos concebidos por cada uma delas, mas com o sêmen do mesmo doador. Os atores em questão para cada papel são Annette Bening, Julianne Moore, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson e Mark Ruffalo no papel do pai.

Até certo momento do filme, a família parece feliz e perfeita, apesar de todas as dúvidas comuns da fase em que as “crianças” do título se encontram – primeiro amor, a entrada na faculdade, saída da barra da saia da mãe e falta da figura paterna. Este último ítem, na verdade, é que traz todo o drama e vai mexer pra sempre em seus laços. Laser, o mais novo, pede à irmã, Joni, com 18 anos recém-completos, que vá à clínica de inseminação descobrir a identidade do pai deles.

Ao fazer contato, todo esses anos todos serão remexidos e o contato com um homem independente e liberal será sedutor a princípio para os dois e perigoso para as duas – Nic (Annette) é médica, controladora, metódica e workaholic, enquanto Jules (Julianne) vive mudando de trabalho e leva uma vida meio hippie.

Curiosidades

O filme de Lisa Cholodenko é bastante ligado à música. O título, por exemplo, é baseado na canção clássica The Kids Are Alright, do The Who.

Joni, interpretada por Mia Wasikowska, foi batizada em homenagem à cantora Joni Mitchell, de quem a personagem de Annette Bening é muito fã. Há uma cena ótima no filme inspirada pelo álbum Blue.

No quarto de Joni, há um pôster da Uh-Huh-Her, banda da atriz Leisha Hailey (que é abertamente gay).

Robin Wright (ex-mulher de Sean Penn) foi considerada para o papel de Nic, que acabou com Annette Bening. Ela foi indicada Oscar de Melhor Atriz e ganhou o Globo de Ouro na mesma categoria  

Por falar em Oscar, em 2000 Annette Bening e Julianne Moore foram nomeadas na categoria Melhor Atriz. Bening foi indicada por Beleza Americana, enquanto Moore foi nomeada por Fim de Caso. Ambas perderam para Hilary Swank por sua atuação em Meninos Não Choram.

Aliás, Swank é a pedra no sapato de Bening. Em 2005, elas concorreram de novo na mesma categoria, mas a primeira levou a melhor por Menina de Ouro.

Embora o filme tenha estreado em apenas sete salas na América do Norte (três em Nova York e um San Francisco, Chicago, Toronto e Los Angeles), em termos de média por sala, foi o vencedor de bilheteria da semana.

Estrelam o filme os filhos de Steven Spielberg com Kate Capshaw e de Micheal Eisner e David Mamet

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