“Eu não gosto de política, odeio política”, dizia Danilo Gentili enquanto tentava dar uma entrevista do Virgula Diversão dentro de um estacionamento atrás do Teatro Municipal de São Paulo. O humorista do The Noite, do SBT, estreou na semana passada a série Politicamente Incorreto, no canal pago FX. Para divulgar o programa, promoveu um comício fictício no centro da capital paulista.

Na trama, ele vive Atílio Pereira, um político ganha por acidente o título de “único político honesto de Brasília”. Pasmo, o presidente do seu partido resolve lançar Atílio como candidato a presidência da República – a grande piada é que a série vai ao ar durante as eleições e na mesma hora do horário eleitoral da TV aberta.

A série, que também está no ar na internet, tem seus momentos engraçados, principalmente quando Duda, a assessora de imagem do protagonista, está em cena. A cena em que “treina” Atílio para evitar palavras ofensivas ou delicadas – pretos, retardados, privilégios, roubar – com choques elétricos é hilária. Por outro lado, a inexperiência de Danilo como ator é visível.

Assista a um trecho da entrevista e da série no vídeo:

<a href=”http://mais.uol.com.br/view/15209008″>Danilo Gentili fala sobre Politicamente Incorreto, a nova série da FX</a>

Na vida real, Danilo é politicamente incorreto até dizer chega, e desconversa a respeito disso tão bem (ou mal) quanto um político. Já foi acusado de ser racista, machista, homofóbico e nazista – e disse pra gente que ficou chateado quando aconteceu. “A primeira vez voce fica mal”, lamenta. “Você ser chamado disso na imprensa, com a manchete do jornal, é um dos piores xingamentos”, chora.

Depois, garante que se acostumou, e diz que quem o acusa “não são pessoas” mas, sim, “minorias”. E minorias não são feitas de pessoas, Gentili? “Eu acho que todo mundo merece ser ouvido, mas não tem o direito de patrulhar”, defende-se. “Eu não me pauto pela cartilha política de ninguém, me pauto pelos meus próprios valores”, explica.

As polêmicas de Gentili já foram parar até na Justiça. No ano passado, ele foi processado por insinuar no Twitter que empresário Thiago Luís Ribeiro, que é negro, de macaco, oferecendo a ele bananas para “esquecer uma história”. Acabou ganhando a causa, quando um juiz disse que a “piada”, embora “infeliz e inoportuna”, não teve propósito de ofender. Pela web, militantes, colunistas e comentaristas criticaram a decisão.

“Pega qualquer termo politicamente incorreto. Preto. Não é crime ser preto. Mas racismo, racismo é crime”, diz Danilo, sem fazer muito sentido. As contradições voam para todo lado. Primeiro, diz que defende “a liberdade de todo mundo falar o que quiser”. Depois, diz que cristãos que pregam contra a homossexualidade “devem ser combatidos”. Em outro momento, afirma que o “patrulhamento” não é correto.

Por fim, conclui que “discurso de falar é muito diferente de fazer”, argumentando que racismo, segundo a lei, seria “impedir acesso a uma pessoa por causa da cor”. Errado: na verdade, a lei de Injúria Racial, que consta no artigo 140 do Código Penal Brasileiro, diz que usar “palavras depreciativas referentes a raça, cor, religião ou origem, com o intuito de ofender” é crime passível de punição e prisão”.

Quando o assunto é política, a palavra favorita do comediante é “equilíbrio”. “As coisas não são definidas em direita e esquerda”, opina. “No Brasil só existe um lado, que é a esquerda. A grande oposição no brasil é o PSDB, que é um partido de esquerda”, diz sobre o partido tucano, marcado pelas políticas neoliberais e pelas privatizações. No fim das contas, Danilo diz que prefere deixar “a esquerda e a direita se matando”. “E eu vou cuidar da minha vida”, afirma. Boa ideia, Danilo.

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