O filme 300 – A Ascensão do Império, baseado na HQ Xerxes, de Frank Miller,  estreia no Brasil dia 7 de março. E Rodrigo Santoro volta a interpretar Xerxes, papel que abriu muitas portas em sua carreira em 2006.

Quando chegou ao set de filmagens na Bulgária, o brasileiro não se conteve e disse: “Ainda isso?”. O ator  referia-se  ao tipo de filmagem que ele faria, “contracenando” com as famosas telas verdes e sem interação com os outros atores.

Rodrigo esperava que, passados seis anos entre uma e outra produção, os efeitos especiais tivessem evoluído.  “Não falava mais com uma fita crepe, agora era uma bolinha de tênis que ficava indo de um lado para o outro…”, diverte-se.

Noam Murro assumiu a direção desta sequência, enquanto que Zack Snyder, que dirigiu o de 2006, assinou o roteiro com Kurt Johnstad e foi coprodutor. “Murro é uma figura, tem uma formação clássica e grande experiência em dirigir comerciais. Nos entendemos muito bem. Como eu fui o primeiro a filmar, criamos uma boa relação”, diz Rodrigo, que também trocou várias ideias com Zack sobre o papel.

“Ele disse que queria explicar o personagem que, no primeiro filme, tinha mais espaço. Xerxes foi escrito como um estrategista, mais sensível e menos guerreiro. Então, dessa vez, seria para tentar humanizá-lo. Por isso, pensamos juntos em como poderíamos aperfeiçoá-lo”, conta Rodrigo, que pela primeira vez na carreira retorna a um papel que já fez antes.

Efeito ‘sanfona’
Quando começaram as filmagens, Rodrigo tinha praticamente acabado de fazer Heleno,  para o qual havia perdido 12 quilos para viver o jogador do Botafogo. “Tive primeiro que voltar ao meu peso normal (80 quilos) para depois trabalhar para ganhar mais”, lembra, garantindo que nada do que aparece na tela – no caso, músculos e abdomen absolutamente bem definidos – foi retocado por computador.

“Era realmente o meu corpo. Malhamos e levantamos muito ferro! Nosso treinador era um fuzileiro naval que dava um treinamento funcional que nos levava até o limite. Foram quatro meses puxados, comecei no Brasil e continuei lá”.

Além dos exercícios, Rodrigo precisou manter a forma através de uma dieta rigorosa, comendo a cada três horas sob orientação de uma nutricionista que ficava no set. “Muitos legumes… eu a e berinjela ficamos melhores amigos!”, gargalha.

Como o personagem Xerxes exigia muita maquiagem, acessórios e recursos técnicos, as filmagens com Rodrigo foram as primeiras a serem realizadas. “Concentraram as minhas cenas, o que deu cerca de três semanas de filmagens. Eu chegava às 3h da madrugada no estúdio e às 7h, quando o pessoal começava a chegar, eu já estava quase pronto. Eram dias inteiros de filmagem”, relata o ator.

Pelo menos dessa vez, Rodrigo “sofreu” menos na caracterização. “No primeiro filme eram seis horas de maquiagem, dessa vez conseguiram diminuir para quatro horas e meia depois de muitos testes. A base que segura os 12 piercings, por exemplo, ficou mais prática de ser aplicada. Ainda assim, tinha que me movimentar calculadamente senão caía tudo, um verdadeiro desafio! Raspei o corpo todo e aquela sobrancelha é resultado de uma prótese que tampava a minha para cobrir com maquiagem”, detalha Rodrigo, lembrando que o personagem original, do desenho de Frank Miller, é negro e o seu ganhou uma tonalidade dourada.

Artemísia
O novo filme se chamaria, à princípio, Xerxes e depois 300 – A Batalha de Artemísia, nomes que foram considerados “exóticos” demais. Definido então como 300 – A Ascensão do Imperio, a história se passa praticamente em paralelo com os acontecimentos do original e é bem mais violenta.

Desta vez, o protagonista é o general grego Temistocles (Sullivan Stapleton), que vai lutar contra as forças persas. Enquanto Xerxes lidera a luta contra os espartanos, é a vingativa Artemísia (Eva Green) que comanda as batalhas em alto mar contra os gregos.

“Essa característica guerreira é bem explorada através da personagem da Artemísia, que é uma espécie de espelho de Xerxes. Há uma manipulação no relacionamento dos dois, mas ele não chega a ser um fantoche. Ele acabou de perder o pai, fica fragilizado e aceita a influência dela, mas consciente. É como ela fosse a parte ativa da relação”, explica o ator.

Rodrigo bem que tentou contracenar com Eva e outros colegas durantes as filmagens, mas nada deu muito certo, tendo que se contentar com a bolinha de tênis… Como Xerxes é uma figura gigantesca, os recursos técnicos são usados para se alcançar a dimensão perfeita na tela entre ele e os simples mortais.

“Não me alongam, diminuem os outros atores. Tinha uma cena em que eu tinha que apertar o pescoço de Artemísia, e não dava certo de jeito nenhum. O diretor acabou vetando. Eu ensaiava com a Eva, mas tinha que reagir para um determinado ponto para onde precisava olhar e, ao mesmo tempo, me guiar pela voz que vinha de outro local. No primeiro filme foi uma loucura, eu nem conseguia dormir direito. Dessa vez, encarei de outra forma, já ajudava nas marcações, queria inventar! Foi um exercício de técnica”, conta.

Apesar da maior parte da história se passar no mar, praticamente toda a água qua aparece na tela foi adicionada digitalmente. Outra cena “manipulada” é logo a de abertura, em que Xerxes, com sua espada, aparece montado num cavalo.

“Estou, na verdade, com um bastão verde na mão e em cima de um cavalo de pau… O de verdade não parava quieto! Tivemos que ensaiar muito os movimentos da espada até chegar ao giro certo para ficar esteticamente interessante”, revela, detalhando também como foi feita a voz gutural de seu personagem: “A voz é a minha, mas eu tinha que falar o tempo todo num tom bem grave para o efeito poder sair direito”.

O ator diz que sua participação em 300 foi um divisor de águas em sua carreira, abrindo várias oportunidades no exterior. “Engraçado que, durante muito tempo, ninguém me reconhecia como Xerxes. Sempre achavam que eu era o filho de um capitão que morre naquela primeira história. Agora, que apareço antes em cenas ainda como humano, de ‘cara limpa’, e depois, quando ele se transforma no deus. Acho que vão ligar as coisas…”, diz.

Sobre uma terceira sequencia de 300, Rodrigo diz que até ouviu um “zum zum zum”, mas que não há nada confirmado.  “Foram dois ou três anos para este ganhar sinal verde, talvez outra produção seja uma coisa demorada. De qualquer forma, o filme deixa uma grande abertura para uma nova sequência e eu não sou contra a idéia. Uma coisa que eu adoraria era estar nas cenas dos guerreiros. A coreografia dos dublês é genial!”, diz.

Enquanto isso, Rodrigo toca outros e muitos projetos, como o longa The 33, sobre os mineiros que ficaram presos 70 dias sob a terra no Chile em 2010, que está filmando atualmente no Atacama.

Ainda este ano ele estará nas telas em Rio 2, dublando o personagem Túlio; em Jane Got a Gun, ao lado de Natalie Portman e Ewan McGregor; e na cinebiografia Pelé onde, além de interpretar um locutor esportivo, também é o produtor da cinebiografia. Focus, comédia que acabou de filmar ao lado de Will Smith e Margot Robbie, só chega às telas em fevereiro de 2015. 

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