Argo, vencedor do Oscar de melhor filme na noite deste domingo, “carece de valor artístico” e é “anti-iraniano”, afirmou nesta segunda-feira o ministro da Cultura e Orientação Islâmica do Irã, Mohamad Hosseini.

Em declarações aos jornalistas locais em Teerã, Hosseini disse que “não esperávamos que os inimigos do Irã fizessem nada bom”, informou a televisão oficial em inglês, PressTV.

Na opinião do ministro, Argo, um drama político rocambolesco sobre o resgate de seis funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Teerã em 1980, obteve o Oscar “por meio de um grande investimento e extensa propaganda para atrair a atenção internacional”.

“Levando em conta que Hollywood atua contra o Irã, temos uma grande responsabilidade (…) e produziremos filmes que retratem a realidade do povo no mundo todo”, acrescentou Hosseini.

Antes da reação do ministro, o Oscar recebido por Argo já havia despertado críticas do regime islâmico do Irã, que o qualificou de “distorção da história”.

O fato de Michelle Obama, a esposa do presidente dos Estados Unidos, ter sido encarregada, através de um vídeo, de abrir o envelope e anunciar Argo como vencedor, também foi visto como um sinal de “politização” do prêmio.

Após o triunfo da Revolução Islâmica do Irã, no dia 4 de novembro de 1979, um grupo de estudantes islâmicos, com o apoio do regime, ocupou a embaixada dos EUA em Teerã durante 444 dias, com 66 cidadãos americanos retidos no início, dos quais 52 estiveram até o final.

Em maio de 1980, Washington rompeu suas relações com Teerã, cujo regime era liderado então pelo fundador da República Islâmica do Irã, o aiatolá Ruhola Jomeini.

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