O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) começa nesta quinta-feira com a estreia mundial de “The Judge” (que vem sendo traduzido como “O Juiz”), o mais recente filme dos atores Robert Downey Jr. e Robert Duvall e que já começa a ser mencionado como possível candidato ao Oscar deste ano.

O interesse que “The Judge”, dirigido por David Dobkin (“Penetras Bons de Bico”), despertou em Toronto, local de um dos maiores festivais do mundo, obrigou os organizadores a triplicar as entradas para a imprensa e a indústria cinematográfica. O filme, no qual também estão os atores Vera Farmiga e Vincent D’Onofrio, se foca em um bem-sucedido advogado de Chicago, Hank Palmer (interpretado por Downey), que se vê forçado a retornar ao pequeno povoado de Indiana em que nasceu por conta da morte da mãe.

Lá, Palmer tem que se reencontrar com o pai, Joseph Palmer (Robert Duvall), o juiz da cidade e com quem há anos não falava. Tudo muda quando o juiz é acusado de assassinato e o filho decide fazer a defesa.

“The Judge” ser o ato inicial da 39ª edição do TIFF não é por acaso. O Festival de Toronto se transformou nos últimos anos na plataforma de lançamento dos filmes que querem competir pelos prêmios Oscar do ano. E a audiência da cidade canadense, uma das mais multiculturais e diversas do mundo, tem um olhar especial para detectar o material que os juízes da Academia gostam.

Portanto os grandes estúdios se esforçam para que seus melhores candidatos às estatuetas douradas de Hollywood estejam presentes em grande estilo em Toronto, especialmente no primeiro fim de semana da mostra. Por exemplo, cinco dos últimos sete filmes ganhadores do Oscar de Melhor Filme passaram por Toronto (“12 Anos de Escravidão”, “Argo”, “O Artista”, “O Discurso do Rei” e “Quem Quer Ser um Milionário?)”.

O poder, real ou suposto, de Toronto chegou a tal ponto que as estreias mundiais e as francesas estão alcançado proporções descomunais para um festival que há 39 anos um grupo de amigos cansados de não ter acesso a filmes estrangeiros na maior cidade canadense começou a fazer. Pela primeira vez, o primeiro dia do TIFF não é aberto apenas com um estreia mundial, mas sim com três.

Além de “The Judge”, que oficialmente é o filme de abertura, a produção de Al Pacino “The Humbling”, e “Mary Kom”, um drama da Índia baseado na vida da campeã de boxe Mary Kom, estreiam hoje em Toronto. A loucura em que o Festival de Toronto se transformou chegará a seu ponto alto no sábado, quando o TIFF tem 12 estreias mundiais programadas.

Parte deste frenesi de estreias é fruto da nova política do TIFF imposta este ano. Com ela os filmes que foram previamente exibidos no prestigiado, embora menor, Festival de Telluride, no Colorado (EUA) não podem ser exibidos durante o primeiro fim de semana do Festival de Toronto. Esta política, que alguns no setor qualificaram como abusiva, representa que diretores como Jason Reitman decidissem retirar seu filme “Men, Women & Children” do festival americano para garantir lugar no desejado primeiro fim de semana do TIFF.

Além das normas e políticas no competitivo setor do cinema, o TIFF continua defendendo seu caráter de “festival de audiências”, declarou hoje à Agência Efe Blanca Granados, publicitário do festival encarregado dos filmes em espanhol.

“O que também é interessante é que muitos programadores de festivais de cinema do mundo viajarão. Eles virão aqui para se encontrar com os produtores, os diretores e os atores hispano-americanos”, disse Granados.

Entre os aproximadamente 300 filmes que serão projetados no TIFF durante os 11 dias de duração do festival, 20 são da América Latina e da Espanha. Este ano destaca-se especialmente a forte representação da Argentina, que conta com sete longas-metragens. Além disso, o TIFF também terá produções de Chile, Peru, Colômbia, República Dominicana, Cuba, México e Espanha. 

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