Eu venho da Grade, e trago boas novas. Tron: O Legado é absolutamente fiel ao primeiro filme, mas com grandiosidade dos anos 2010. Com atuação impecável de Jeff Bridges (mesmo que a versão computadorizada de Kevin Flynn jovem lembre propagandas com bebês que falam) e surpreendentes Garret Hedlund e Olivia Wilde, o filme não desaponta fãs do filme original de 1982. Está tudo lá, desde a clara referência estética do mundo virtual da Grade até cenários e falas da “vida real”.

Uma introdução no início do filme dá a base suficiente para que as novas gerações possam assistir a Tron: O Legado sem ter que alugar aquela fita cassete empoeirada de Tron: Uma Odisseia Eletrônica antes. Mas certamente quem já assitiu – e principalmente se faz pouco tempo – vai aproveitar melhor as referências e perceber como tudo foi brilhantemente adaptado para os anos 2010.

A sequência de Tron conta que Kevin Flynn, o brilhante programador da ENCOM, se torna dono da companhia depois de salvar a Grade da tirania do Programa de Controle Mestre (PCM), mas um belo dia desaparece e deixa seu jovem filho Sam como herdeiro.

O moleque órfão milionário, Sam Flynn, obviamente cresce rebelde, dando rolê com uma moto Ducatti e pulando de para-pente do topo de prédios depois de hackear a própria empresa. Toda essa rebeldia vai ser muito útil quando Sam entrar na Grade e tiver que salvar o mundo real e virtual, além do resgate de seu pai.

O drama da reconciliação com o pai desaparecido é um pequeno detalhe numa trama que, quando comparada com o filme original, é tão mais intrincada quanto são os gráficos. Agora os programas são mais inteligentes e “humanos”, reproduzindo comportamentos conhecidos das figuras de carne e osso. Tirania, traição, ganância, medo e insegurança de um lado, amor, resistência e sobrevivência de outro. Sem falar na séria pitada de ficção bio-científica que seria muito spoiler se a gente contasse.

O diretor de Tron, Steven Lisberger, esperou 28 anos para deixar que o jovem Joseph Kosinski dirigisse a sonhada continuação, e pode-se dizer que valeu a pena. Em 1982 era tudo em 8-bits, fosse em salas recheadas de computadores gigantescos, fosse nas máquinas arcade. Hoje, quase todos temos alta definição em nossos bolsos. O mesmo aconteceu na Grade. Pense que o primeiro filme era DOS, o filme de 2010 é Mac.

O 3D sozinho não tira o ar de ninguém. Ele contribui para as cenas de ação, mas o resto dos efeitos gráficos dão um show tão grande que quase dá para esquecer do tridimensionalismo. Na verdade, a profundidade é tão bem fundida com as imagens que fica sutil. Duvido que a experiência seja completa sem ele.

De tirar o fôlego é a trilha sonora criada especialmente pela dupla francesa de música eletrônica Daft Punk. Parece que Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter entraram na Grade antes das filmagens e decifraram o código, até então binário, para criar não só meia dúzia de canções, mas criar uma atmosfera completa. Mas pudera, os dois trabalharam junto com a produção do filme na construção de todos os sons, assim, o filme e a trilha se tornam uma coisa só.

No fim das contas, Tron é um filme épico sobre diversidade e aceitação de “imperfeições”. Apesar de carregar uma mensagem subliminar um pouco religiosa, a moral da história acaba sendo a mesma de todos os filmes da Disney.

Ah, e a lindíssima Olivia Wilde, solução para os problemas dos mundos real e virtual, é quem vai tirar mais o fôlego dos nerds (a turma que realmente vai se esbaldar com o filme). Enquanto o filme não entra em cartaz, dá uma olhada no especial do Virgula sobre Tron: O Legado!

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