O diretor de cinema argentino Juan José Campanella, ganhador de um Oscar por O Segredo dos Seus Olhos, inaugurou nesta quinta-feira o Hay Festival de Cartagena das Índias, na Colômbia, com uma aula magistral, na qual confessou que seu último filme, Um Time Show de Bola, foi o mais difícil que já fez e que o sucesso “é questão de sorte”.

O Segredo de Seus Olhos foi brincadeira de criança se comparado a Um Time Show de Bola“, reconheceu Campanella durante uma conversa cheia de humor e lembranças no cinema Adolfo Mejía de Cartagena das Índias.

A produção argentino-espanhola de animação em 3D é o produto de sete anos de trabalho, dos quais três foram dedicados somente ao roteiro.

“Eu queria fazer algo para crianças, que os envolvesse”, admitiu para depois afirmar: “É o filme mais difícil, mais complicado em todos os sentidos – criativo, tecnológico, prático, de orçamento -. Foi uma verdadeira dor de cabeça”.

O diretor, que estudou cinema durante os anos 1980 em Nova York, onde dirigiu dois filmes e trabalhou na televisão, retornou depois à Argentina para construir uma carreira que em 2010 lhe rendeu o Oscar de melhor filme estrangeiro com O Segredo dos Seus Olhos.

“O sucesso é uma questão de sorte. Não existe um caminho para se chegar ao Oscar. Você deve fazer um filme o melhor que puder, às vezes é um sucesso, às vezes um fracasso”, disse.

Para Campanella, a chave do sucesso está na “química” entre os atores e em uma boa mistura dos ingredientes. Além disso, acrescentou que para que um filme funcione não é preciso fazer, necessariamente, concessões comerciais.

O Segredo dos Seus Olhos é “um thriller por um lado e um filme romântico por outro. O trabalho era misturar isso sem que se sentisse um contínuo coitus interruptus (coito interrompido)”, explicou Campanella, que acrescentou que adotou no filme uma estrutura e um ritmo baseados nas sonatas de Beethoven.

A aula magistral de Campanella foi concluída com a projeção do vídeo clipe musical La Vuelta al Mundo que o cineasta argentino dirigiu para o grupo Calle 13.

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