San Pedro de Atacama é parada obrigatória para os turistas

San Pedro de Atacama é parada obrigatória para os turistas

Tem curiosidade de conhecer um deserto? Saiba que é surpreendente! Aquela ideia que a maioria de nós tem na cabeça de que é apenas uma imensidão de areia e pó não é tão real assim. Pelo menos, não no Atacama. O deserto mais seco e alto do mundo fica logo ali no Chile, o mais perto possível para nós, brasileiros, conhecermos este cenário único.

Por lá chove, em média, só três vezes ao ano. Vem do degelo das Cordilheiras dos Andes a água que permite que existam povoados, vegetação e animais nos mais de mil quilômetros de deserto. Como cada região recebe uma quantidade de água e está em uma altitude diferente, a paisagem muda bastante em pouco espaço. Mas, uma coisa é certa, independente de onde estiver, prepare-se para uma mistura de cores estonteante e uma natureza incrível.

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A começar pelo marrom de San Pedro de Atacama, um vilarejo pitoresco que tem pouco mais de três mil habitantes, fica a 2.500m de alitude e é o centro turístico local. Parada obrigatória para todos os visitantes, é de lá que saem as excursões para desbravar a região. Nas horas livres, não deixe de conhecer os bares e restaurantes da rua Caracoles e o mercado de artesanato na Plaza de Armas. – conheça mais aqui.

As atrações principais do Atacama estão espalhadas ao redor da vila e é preciso “viajar”, no mínimo, meia hora para conhecê-las. São várias opções de passeios, que vão desde os mais tranquilos até os mais aventureiros, como escalar um vulcão, por exemplo. Entre eles, alguns são mais disputados já que dão um panorama geral da diversidade do deserto. Se está pensando em ficar dois dias por lá, fizemos um roteiro com quatro passeios bem populares.

1) Termas de Puritama
Puritama é o nome do rio de água quente que fica no meio do deserto e se divide em oito piscinas transparentes. Esta parada fica a 3.500m de altitude e 30km distante do centro de San Pedro. O caminho pode ser feito por uma trilha de quase duas horas ou de carro mesmo.

Chegando lá, as piscinas são pequenas, uma seguida da outra e de água limpa com temperatura entre 32 e 33ºC. Cenário perfeito para os turistas darem um mergulho e relaxarem. Atenção apenas durante o inverno porque o frio e o vento gelado fora da água podem ser desconfortáveis.

Na mochila: não se esqueça de jeito nenhum da roupa de banho e da toalha. Aqui, use o look deserto básico: calça confortável, camiseta, casaco leve no verão e mais pesado no inverno, sapatos de trekking e óculos escuros. E, claro, sempre protetor solar.

Para ficar de olho: a região tem uma vegetação característica com os famosos cardóns, cactos que crescem apenas um centímetro ao ano.

Quanto custa: para entrar no parque – que tem as piscinas, banheiros e uma pequena área aberta com mesas – o valor é de 15 mil pesos pela manhã e metade à tarde. Funciona das 9h às 17h30. As excursões não incluem o ingresso e são vendidas em San Pedro por uma média de 17 mil pesos e duram meio período.

Termas de Puritama

2) Salar de Atacama
Este deserto de sal fica a 55km de San Pedro e 2.300m de altitude. O local é o maior produtor de lítio do Chile, mas o pôr do sol é a grande atenção! A região fica entre montanhas, por isso é palco todos os dias de uma dança de luzes quando o sol some. Se de um lado está a salina logo aos pés da Cordilheira dos Andes, do outro, temos a Lagoa Chaxa e relevo menor. No meio disso, os sortudos turistas.

Então, enquanto o sol se esconde atrás das montanhas que beiram a Lagoa, os raios refletem na direção contrária, acertam em cheio a Cordilheira e brilham em tons de rosa, laranja e dourado. O espetáculo dura cerca de 15 minutos até a noite cair e a lua aparecer.

O cenário fica ainda mais bonito se observarmos que dois vulcões famosos do Chile aparecem no horizonte. Primeiro, o Lascar, um dos dois vulcões ativos do Atacama e que solta fumaça o tempo todo. Depois, o Licancabur. Adormecido, tem mais de 5 mil metros de altitude e é a grande estrela local já que de praticamente todos os lugares, a vista dele nos acompanha. O vulcão fica exatamente na fronteira entre Chile e Bolívia e, para quem gosta de aventura, é possível chegar ao topo.

Outro detalhe no Salar é que a Lagoa é lar de alguns animais, incluindo flamingos. Vale levar um binóculo para vê-los melhor!

Na mochila: seja no inverno ou no verão, a temperatura diminui bastante quando a noite chega, afinal a amplitude térmica é uma das principais características de qualquer deserto. No verão, o termômetro cai de mais de 30ºC durante o dia para 10ºC à noite. No inverno, temos 20ºC com o sol brilhando e, depois, 0ºC no fim do dia. Como este passeio acaba tarde, leve na mochila um casaco bem quente e, dependendo da época do ano, inclua ainda luvas, gorro e cachecol.

Para ficar de olho: no caminho para o Salar, algumas excursões costumam parar em Toconao, um vilarejo com pouco mais de mil habitantes que fica no meio do deserto e vive de um pequeno rio e agricultura familiar. Por lá, dá para visitar uma igreja, ver as lhamas domesticadas, fazer compras de artesanato, conhecer algumas construções locais do século 16 que foram erguidas com uma mistura de cactos e pedras vulcânicas e ainda ver a melhor placa do Chile!

Quanto custa: a entrada na reserva custa 5 mil pesos. As excursões são vendidas por uma média de 20 mil pesos, mas não incluem o ingresso.

Taconao

3) Gêiseres de Tatio
Dia de acordar de madrugada no Atacama! O grande espetáculo dos gêiseres acontece logo cedinho que é quando a água fervendo entra em contato com o ar congelante da manhã. Por isso, as excursões deixam San Pedro, no máximo, até às 5h30. São quase 100km de estrada que levam os turistas a este parque administrado por duas tribos indígenas locais e que fica a 4.300m de altitude.

O local é uma reunião de várias piscinas artificiais alimentadas por gêiseres externos. A água que brota do chão está entre 85ºC e 120ºC e os jatos podem chegar a 10m de altura. Um detalhe muito importante é ter cuidado e respeitar a segurança porque a fumaça – que tem leve cheiro de enxofre – atrapalha a visão e já aconteceu algumas vezes de turistas se queimarem com respingos ou até caírem nas piscinas.

Mas, há uma em especial em que dá pra se aventurar. Nela, a água está entre 35ºC e 40ºC e tem banheiros especiais para quem tiver a coragem de colocar uma roupa de banho e mergulhar.

Na mochila: não importa a época do ano, vista-se em camadas para visitar os Gêiseres. Enquanto lá em cima, o frio é congelante. Poucas horas depois, você vai encontrar um sol a pino quando voltar para San Pedro. No inverno, as temperaturas no parque chegam a -20ºC, então capriche nas roupas térmicas, casaco, luvas, meias e etc. No verão, a temperatura fica em torno de -4ºC.

Para ficar de olho: a estrada até os Gêiseres é uma das mais bonitas do Atacama. Tem vegetação mais verde e alguns rios congelados. Entre eles, está o Vado Putana, que tem este nome porque fica aos pés do Putana, o segundo vulcão ativo da região e que lança fumaça o tempo todo. É também neste caminho que conseguimos ver com mais calma alguns animais, como burros selvagens e lhamas.

Quanto custa:
 somente para entrar no parque é preciso desembolsar 5 mil pesos. Para quem quiser já passar a noite por lá, tem um dormitório no parque. Se preferir contratar uma empresa, as excursões de oito horas custam, em média, 26 mil pesos, não incluem o ingresso da atração, mas costumam oferecer um café da manhã reforçado com os Gêiseres como pano de fundo.

Geiseres

4) Valle de la Luna
Para fechar os dois dias no Atacama, visite o Valle de La Luna. A reserva é bem extensa, com estrutura geológica de 35 milhões de anos e uma das atrações mais próximas de San Pedro, por isso muita gente escolhe fazer o trajeto de 17km de bike.

Para começar, visitamos a maior duna do vale e foi ali que encontramos a paisagem que mais se encaixa na ideia que fazemos de um deserto. O sol é muito forte e não tem vegetação nenhuma pelo caminho. Diferente dos outros, é preciso andar um pouco nestas condições e é quando mais se sente o tempo seco dificultar a respiração. O caminho até o topo é cansativo, mas vale o esforço!

A segunda parada é no mirante da Pedra do Coyote, um dos pontos mais famosos do Atacama para assistir ao pôr do sol. Diferente do Salar de Atacama, aqui o céu se pinta de vários tons de azul e se misturam com o marrom do relevo.

Na mochila: a caminhada até o topo da duna exige um pouco de esforço, então cuidado com o peso desnecessário da bolsa. Mas, tenha certeza de que está levando água, óculos escuros, protetor solar e botas de trekking. Prefira roupas de calor mais claras porque o sol pode incomodar. Quando a noite chega lá no mirante, é hora de se proteger do frio e recolocar o casaco reforçado. Se for no inverno, leve luvas e cachecol.

Para ficar de olho: a Pedra do Coytote é uma das atrações queridinhas dos turistas, então provavelmente você terá que disputar os melhores pontos para tirar uma selfie.

Quanto custa:  quem preferir ir sozinho, a entrada no parque custa 2,5 mil pesos. As excursões completas são vendidas por uma média de 10 mil pesos, duram até cinco horas e não incluem o ingresso.

Valle de la Luna

Turismo no Deserto do Atacama:
Para visitar o Chile, o turista brasileiro precisa de uma carteira de identidade com menos de 10 anos de expedição ou um passaporte válido por pelo menos seis meses.

Para se chegar a San Pedro de Atacama, saem voos do Rio de Janeiro e de São Paulo para Santiago, capital chilena. De lá, são mais duas horas de voo até Calama e, então, mais uma hora e meia de carro até o vilarejo. O local fica a 2.400 metros de altitude. A moeda local é o peso chileno. Um real vale aproximadamente $202 pesos.* Para comparação, um refrigerante nos aeroportos custa 1.550 pesos chilenos, o equivalente a R$ 7,80.

*cotação do dia 14/07/2016

**alguns hotéis em San Pedro de Atacama tem sistema all-inclusive que abrangem as excursões completas e entrada nos parques já nos pacotes

***a repórter viajou ao Chile a convite do Hotel Tierra Atacama

 

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